Agosto Dourado: amamentar pode envolver prazer, dor e culpa ao mesmo tempo, diz psicóloga
Entenda por que todos esses sentimentos precisam ser acolhidos com escuta e sem julgamento
- Categoria: Saúde
- Publicação: 05/08/2025 20:05
- Autor: Chris Coelho

Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Mas, para além dos benefícios nutricionais do leite, é preciso abrir espaço para falar sobre o que a amamentação representa na vida emocional da mulher. Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, o ato de amamentar pode desencadear dor, culpa, frustração e até sofrimento psíquico, e isso não significa que a mulher não ame seu bebê.
“É comum que a amamentação misture dor física, cansaço extremo e sentimentos ambivalentes, e, ainda assim, envolver prazer, vínculo e reparação emocional. Tudo ao mesmo tempo”, explica Rafaela.
Veja o que está por trás da experiência emocional da amamentação:
Como a amamentação pode afetar emocionalmente?
Mesmo durante a gravidez, é importante que a gestante saiba que o processo de amamentar pode ser atravessado por sentimentos diversos:
- Medo de não conseguir nutrir o bebê “como deveria”;
- Pressão para manter a amamentação exclusiva;
- Expectativas irreais sobre o que é ser uma “boa mãe”;
- Desconforto físico e dor nas primeiras mamadas;
- Sentimento de inadequação e culpa quando há dificuldades.
Como se preparar emocionalmente?
Para Rafaela Schiavo, a preparação emocional deve incluir conversas francas e sem romantização:
- A gestante precisa saber que a amamentação pode ser difícil, e que isso não define sua capacidade materna;
- O acolhimento psicológico deve validar as dores e dúvidas da mulher sem impor julgamentos;
- É importante garantir que ela tenha uma rede de apoio, inclusive profissional, para quando o bebê nascer.
Amamentar pode ser um gatilho emocional?
Sim. Segundo Rafaela, a amamentação não é apenas um ato biológico, mas um momento carregado de significados simbólicos e psíquicos para a mulher:
- Pode reabrir vivências traumáticas, como violência obstétrica ou solidão no pós-parto;
- A pressão social por “dar conta” de tudo intensifica o sofrimento;
- Mesmo mães que conseguem amamentar podem se sentir exaustas, e isso é legítimo.
A psicóloga ainda explica que a psicologia perinatal não tem como função incentivar ou desencorajar a amamentação. O papel do profissional é acolher o que está sendo vivido:
- Nomear o que a mulher sente ao oferecer o peito, ou ao não conseguir fazê-lo;
- Validar sentimentos de dor, prazer, culpa ou exaustão;
- Evitar julgamentos e escutar com empatia, sem fórmulas prontas.
“A escuta sem julgamento pode aliviar mais do que qualquer técnica. Muitas vezes, a mãe só precisa saber que o que sente é legítimo”, afirma Rafaela.
Quem é Rafaela Schiavo?
É psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.
Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.
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