Dirigido por William Dieterle e estrelado por Joseph Cotten, Jennifer Jones, Ethel Barrymore e uma participação especial de Lillian Gish.
Olá a todos. Eu estou de volta com mais uma análise de filme. Como estamos ainda no mês de Halloween, resolvi trazer um filme que me encanta desde a primeira vez que eu vi. A trama tem um pouco de fantasia e romance. Quem me conhece sabe o quanto sou romântica. E eu digo que é até a página 11. Quem tiver interesse em assistir, O retrato de Jennie está passando no youtube. Eu recomendo. Ele é um filme que te faz pensar, refletir sobre alguns assuntos importantes.
Quando eu vi pela primeira vez, já pude reconhecer Lillian Gish como a madre na Igreja. Eu já era fã de seu trabalho e isso permanece até hoje. Em 2025 já revi a baleia de Agosto de 1987 que ela faz com Bette Davis e eu parecia uma criança no dia de Natal. Se bem que todo o elenco de o retrato de Jennie me encanta!
O filme se passa em alguns momentos distintos. No primeiro momento se mostra Nova York na década de 30. Eben Adams (Joseph Cotten) é um pintor talentoso, mas frustrado. Apesar dele ser bom, não tem “a musa inspiradora” para dar aquele empurrão e passar os sentimentos pela tela. E por isso está desempregado, desanimado, desmotivado. Mas as coisas começam a mudar quando ele conhece em uma tarde fria e cinzenta no Central Park, uma garota misteriosa, porém encantadora Jennie Appleton (Jennifer Jones).
Essa garota parece deslocada no tempo e no lugar. Suas roupas são antigas e seu modo de falar é ingênuo e poético. Eu a vejo como uma garota romântica e sonhadora. Eu também já fui assim… Há 10 mil anos atrás (Como dizia a música do Raul Seixas). Ela conta histórias dos pais e de lugares que já deixaram de existir a anos. Sinceramente já percebi ali que havia algo diferente, não dito ali.
Depois desse encontro com essa criança adorável, Eben fica encantado por ela. Pela inocência dela. E vai para casa, com o rosto dela na cabeça. Ele tenta fazer um esboço do rosto dela e consegue fazer um algo a mais. A passar aquilo que não estava conseguindo. Ele sai e quando mostra o desenho para a senhora Spinney (Ethel Barrymore) uma galerista que acredita em seu trabalho, a mulher também percebe que algo mudou. Já que ele tinha de certa forma, encontrado a musa inspiradora dele.
Uma coisa interessante é que nos próximos encontros que ele tem com a Jennie, ela vai envelhecendo mais rápido. Como se estivesse em uma vida paralela a Terra. Mais uma vez eu percebi que havia algo aí. E em uma das últimas vezes, Jennie parece ser uma jovem adulta.
O pintor ficou cada vez mais encantado, obcecado com aquela mulher que cresceu de forma tão rápida. Em seus quadros, ele buscava capturar sua essência. Ele acaba descobrindo a verdade do que aconteceu com ela. E mesmo assim, Jennie aparecia para ele. Cada vez mais próxima, real, viva. Nesse momento, me fez lembrar outro filme que eu amo: Em algum lugar do Passado de 1980. Que se trata de outra história de amor verdadeira e proibida.
O que acho lindo em Eben foi seu amor, fé, esperança, dedicação. Enfim, ele conseguiu terminar esse quadro tão belo, que virou uma obra prima. Esse amor que um sentia pelo outro era tão intenso e verdadeiro que transcendia a tudo. Ao tempo… A morte…
Esse filme misturou fantasia, romance e melancolia e criou uma situação onírica. Eu diria até mesmo espiritual. Ele de certa forma, a ajudava e Jennie também. Aqui fazemos uma meditação entre inspiração artística, amor idealizado e a transcendência do tempo.
Eben estava em uma crise existencial quando encontrou Jennie. E foi nessa hora que o inconsciente dele agiu. Jennie era uma projeção da psique do pintor. Uma personificação de tudo o que ele perdeu, ou não acreditava mais. Inocência, sonho, mistério, um amor verdadeiro.
E Jennie envelhece mais rápido, por ser fruto da psique de Eben. É um tempo simbólico, que vai mudando conforme Eben vai evoluindo pensamentos, atos, etc.
Ela pode ter ido, mas vive tanto dentro da pintura, quanto dele. Eu sei que parece uma coisa de louco, mas não é. Eu vou ficando por aqui. Espero que vocês tenham gostado. O que vocês acharam do filme? Comentem aí se quiserem. Um beijo a todos. Até a próxima matéria.
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