Análise “Colegas” (2013)

Critica de Filmes
Um filme que traz um novo olhar da pessoa com a Síndrome de Down

Muito antes de Marcos Mion estrelar seu primeiro longa no cinema, que usa a ficção para tratar de um tema cada vez mais real na nossa sociedade atual – o autismo –, decidi trazer uma análise futuramente sobre o filme MMA: Meu Melhor Amigo aqui no site para vocês, queridos leitores. Mas, por hoje, optei por falar sobre uma obra que foi responsável por pavimentar, de certa forma, o caminho para a chegada de temas de inclusão no nosso cinema nacional. Trata-se do filme Colegas, que já vinha cumprindo esse papel – e muito bem, por sinal – desde 2013, ano de seu lançamento.

Colegas é um filme que aborda, de forma inocente e poética, as coisas simples da vida através dos olhos de três jovens com síndrome de Down: Stalone (Ariel Goldenberg) , Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Breno Viola) .

O longa está carregado de referências ao cinema, algo que já se percebe pelo nome de um dos protagonistas. Além disso, o que inspira os nossos heróis a embarcarem na aventura que acompanhamos durante o filme é justamente outro clássico do cinema: Thelma & Louise (1991).

A premissa que envolve os três jovens é bem melancólica e solitária. Eles só se tornaram colegas por uma infelicidade do destino: ou seus familiares morreram, ou foram abandonados à própria sorte. O caminho dos aventureiros se cruza em uma casa de apoio para pessoas com síndrome de Down.

Todo o enredo é narrado pela voz de Lima Duarte, que interpreta Arlindo, o jardineiro da casa. Inclusive, é no automóvel deste jardineiro – um Karmann-Ghia – que os três fogem rumo à liberdade, em busca de realizar um sonho bastante singelo: ver o mar.

A partir daí, temos um verdadeiro espetáculo. Os protagonistas invadem lojas, bares e restaurantes, e “brincam” de assaltar, como viam nos filmes. Essa brincadeira os leva até Buenos Aires, onde acabam sendo capturados pela polícia local.

A trilha sonora é outro destaque desse filme – um verdadeiro tributo ao nosso “Maluco Beleza”, Raul Seixas. Stalone, Aninha e Márcio são grandes fãs do cantor. Há, inclusive, um momento em que eles entram de penetras em um show de um cover do Raul, o que me surpreendeu bastante.

Outro ponto que me chamou a atenção foi o desenvolvimento do par romântico entre Stalone e Aninha. O sonho de Aninha é se casar e, em meio à fuga, o trio encontra tempo para realizar uma cerimônia de forma bastante informal. Eles celebram essa união, o que leva a outra surpresa: uma sequência com uma cena de amor entre Stalone e Aninha. Esse foi um ato muito corajoso do filme, pois a sexualidade das pessoas com deficiência já era um tabu na época de lançamento – e continua sendo ainda hoje.

O filme também nos presenteia com a chegada dos aventureiros à praia, um momento simbólico que representa a liberdade tão citada ao longo da história. É impossível não se emocionar com a cena em que Aninha liberta um passarinho preso em uma gaiola.

A forma leve como Colegas retrata a socialização das pessoas com síndrome de Down, além de abordar os preconceitos sem fragilidades, é admirável. O bom humor permeia boa parte do filme, tornando-o ainda mais envolvente.

E não é apenas nas referências cinematográficas que Colegas brilha. Mais uma vez, destaco a trilha sonora, que inclui uma versão adaptada em inglês de “Asa Branca” – intitulada White Wings – na voz de Raul Seixas.

Quanto ao cinema, há uma cena hilária que faz referência a Norman Bates, do clássico de horror Psicose.

Colegas é feliz em tudo o que se propõe, especialmente pela criatividade e ousadia de sua direção, que foi, sem dúvida, muito à frente do seu tempo. É mais um orgulho para a história audiovisual brasileira!

Ah, e o filme Colegas está disponível no catálogo da Netflix.

Dirigido por Marcelo Galvão, no elenco também tem Marco Luque, Leonardo Miggiorin, Deto Montenegro, Monaliza Marchi, Amelia Bittencourt, Otávio Mesquita, Juliana Didone, Dani Valente, Rui Unas, Daniel Torres, Nill Marcondes, Thogun, Roberto Birindelli,

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