O cinema e o poder de fazer as datas serem infinitas  

Cinema

Gilberto Petruche, o Charada, em sua página no Instagram, indicou “Paris, Texas”, um filme de 1984. Essa pequena atitude me motivou a escrever esse post. O filme nunca foi visto por mim, mas sei que é uma preciosidade premiada e aclamada por uma multidão de especialistas e crítico. O dia que eu decidir assisti-lo, automaticamente ignorarei o fato de que ele foi gravado há 41 anos atrás e terei na minha mente que a relíquia é nova, e que em 2025 ela fez parte da minha vida. Da mesma forma que “Paris, Texas” fez parte da vida de quem assistiu e gostou no exato ano em que foi “consumido” por aquela pessoa.

Não importa se estamos falando de um filme que foi gravado em 1925 ou em 1957, não importa se estamos falando de “Sem novidade no Front, um drama de 1930, o sentimento que a sétima arte nos causa, é atemporal , como se vivêssemos em todos os anos da história ao mesmo tempo. É como se ao revivêssemos ou assistíssemos uma obra do passado, a gente vivesse aquilo como se fosse algo do inteiro presente. 

Se alguém assistir hoje em dia , pela primeira vez , o vencedor de melhor filme do Oscar de 1962, “Amor, Sublime Amor” , vai estar vivenciando a experiência pela primeira vez, como se fosse algo novo. Logo, é como se o filme fosse uma novidade, e pouco importa as técnicas do filme, pois o importante para aquela pessoa, é que em 2025,  ela está descobrindo aquela obra-prima. Se um adolescente que não conhece cinema, mas quer conhecer melhor, quiser maratonar os filmes de Woody Allen, assistir alguns filmes de Martin Scorsese, apreciar a genialidade de Alfred Hitchcok, se deliciar com a maestria de Akira Kurosawa, esse jovem terá uma infinidade de opções e terá a sensação de que tudo aquilo é novo pra vida dele; sendo assim,ocorre o nascimento de uma vivência única; é o momento em que uma pessoa apreciou pela primeira vez uma película que foi gravada há 40 anos. 

O clássico e espetacular “Ben Hur”, de 1959 do diretor William Wyler, é um exemplo de quem assiste nos dias atuais e nunca assistiu antes, o considera como se fosse uma experiência nova em sua vida, e vai lembrar de tê-lo assistido e experienciado como se tivesse sido lançado ontem. E por aí vai. Não importa se décadas separam o lançamento de uma obra prima com você de frente pra TV em Novembro de 2025, a data não importa mais, e com essa lógica, todos os anos de nossas vidas são totalmente abertos a inúmeras “Primeiras vezes”, fazendo assim o nosso cérebro não se importar com o tempo ou com a breguice, ou desatualização , ou com a estranheza daquela uma hora e meia ou duas horas de uma estória interessante e que você pensa “Se eu soubesse que era tão bom assim, teria visto muito antes. Mas a descoberta desse filme me fez abrir a mente”. 

O ser humano quando mais novo, não tem nem muita noção da importância da sétima arte, passam-se os anos, as décadas,  e obras espetaculares são lançadas, ficam velhas, ficam pra trás, passam despercebidas e podem nunca ser descobertas pelo grande público. Por isso o número astronômico de filmes incríveis , escondidos e pouco conhecidos , não são apreciados, até um certo ponto, pois quem vai atrás e fuça ,  o fim das contas , descobre um universo de um labirinto interminável de opções , e que a maioria dessas obras foi feita quando o cidadão nem era nascido, fazendo mil possibilidades de qualquer ser humano no planeta , parar um dia, assistir qualquer filme belíssimo e ter a experiência de duas horas inéditas na vida dele. Sim, a cada duas horas, a cada 95 minutos que passamos em frente a mesma TV do nosso quarto que está lá há 20 anos, é um momento totalmente novo. Então é isso, viva o muito antigo como se fosse um super novo. E viva o quase datado como se fosse seu hobbie do futuro de amanhã.

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