Análise de “Memórias de Um Caracol” (2024)

Critica de Filmes
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Bela, melancólica e caracterizada por um senso de humor muito peculiar (às vezes, até um tanto sombrio), eis o ótimo filme de animação australiano “Memórias de Um Caracol” que, não por acaso, concorreu, recentemente, ao Oscar na categoria Animação.

Produzido pelo experiente diretor e animação australiano Adam Elliot (“Mary e Max – Uma Amizade Diferente”, 2009), o filme utiliza a técnica “stop motion” que, basicamente, envolve movimentar, manualmente, os bonecos/maquetes feitos de massa especial, fotografar cada movimento, diversas vezes e, em seguida, acelerar ou mesmo “criar” tais movimentos corporais e de fala, na edição. Em resumo, se trata de um trabalho colossal. Posso garantir isso, por experiência própria, por já ter participado da execução de um curta-metragem no formato stop motion, em meus tempos de estudante de cinema.

Mas, é preciso destacar que a força e mérito de “Memórias”, não reside apenas em questões de ordem técnica. Pois o filme realmente é emocionante, por abordar de forma ao mesmo tempo singela, bem-humorada e, sim, muitas vezes triste, questões extremamente relevantes como: inadequação social e consequente preconceito (bullying), solidão na velhice e poder transformador da verdadeira amizade.

Embora não seja propriamente uma animação destinada ao público infantil, mas sim, um filme bastante adulto; ele deve tocar, em especial, o público adolescente, por abordar uma série de situações e os típicos “ritos de passagem”, característicos dessa fase da vida e toda a dificuldade em termos de compreensão e aceitação, que praticamente todo o adolescente enfrenta.

Por outro lado, a ultra- carismática personagem “Pinky”, sem dúvida, deve gerar identificação e, claro, um inevitável nó na garganta dos espectadores da Terceira Idade, por, muito provavelmente, se identificarem com a situação vivida por aqueles que já tiveram família, amigos e “vida social”, mas que, anos depois, se vêem extremamente solitários e jogados à própria sorte.

Destaque para a forma como o filme aborda a hipocrisia religiosa (cristã) muitas vezes característica de diversas famílias e grupos sociais, na figura de um pastor que coleta doações “para Jesus” que, no fim das contas, tem uma destinação, digamos assim, muito diferente… 

Questões como homofobia, preconceito em suas mais variadas formas e enriquecimento ilícito, via exploração da fé, são também aqui abordadas, com muita precisão, bom humor e, claro, sordidez também.

Obs: a opção por um “happy end” padrão, num filme até então, tão realista, corajoso e verdadeiro, me incomodou um pouco. No mais, porém, “Memórias de Um Caracol” beira a perfeição, tanto em termos técnicos, quanto de conteúdo relevante e de poder transformador.

Vozes de : Adam Elliot, Sarah Snook, Eric Bana, Jacki Weaver, Nick Cave, Tony Armstrong, Magda Szubanski, klaus Banadinovich, Dominique Pinon, Kodi Smit-McPhee, Paul Capsis, Davey Thompson, Bernie Clifford

Lançado aqui no Brasil pela distribuidora Mares Filmes, em parceria com a A2 Filmes, “Memórias de Um Caracol”, sem a menor dúvida, merece uma boa conferida

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