Dirigido por Olivier Assayas e estrelado por Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloë Grace Moretz, Lars Eidinger, Brady Corbet e Johnny Flynn.
Eu gosto muito desse filme não somente por causa das atrizes, mas também por fazer refletir sobre as etapas da vida. Não é a toa que Juliette Binoche é uma das melhores atrizes da sua geração. Eu nem acredito que ela tem 61 anos. Kristen Stewart também está ótima. Para mim, é um dos melhores trabalhos dela.
Maria Enders (Juliette Binoche) é uma atriz francesa renomada que alcançou a fama ao interpretar Sigrid, uma jovem ambiciosa e manipuladora na peça Maloja Snake, que foi escrita por Wilhelm Melchior. Agora, vinte anos depois, ela é convidada a participar de uma nova montagem dessa mesma peça. Só que dessa vez, para interpretar Helena, a mulher mais velha, mais madura e vulnerável, que é explorada de forma emocional por Sigrid.
Esse convite desperta em Maria um turbilhão interno de sentimentos dos quais ela não sabia que sentiria. E é obrigada a confrontar o passar do tempo, a própria imagem e a transição que ocorre na carreira de uma atriz à medida que a mesma envelhece.
E essa mudança de papel a fez realmente ver que ela não é mais uma jovem mulher, ou seja, ela não tem mais aquela juventude de antes. O desejo exuberante e o poder sedutor que ela teve sobre o palco e sobre o público. Principalmente no papel de Sigrid.
Maria viaja com sua assistente pessoal, Valentine (Kristen Stewart), para a Suiça. Em uma região montanhosa de Sils Maria, onde Wilhelme Melchior costumava se inspirar para escrever.
Chegando lá, Maria ensaia o texto da peça com Valentine. Os diálogos intensos entre as duas durante os ensaios revelam as reflexões profundas sobre o envelhecimento, o medo de ficar para trás e ser ultrapassada, e o lugar da mulher em uma indústria que idolatra a juventude.
Durante esse intervalo, surge uma jovem atriz que interpretou Sigrid na nova montagem. Jo-Ann Ellis. (Choë Grace Moretz), uma estrela pop em ascensão. Ela tem um comportamento rebelde, controverso. É perseguida pela mídia devido aos seus escândalos pessoais.
Jo-Ann mostra sentir desprezo pelas convenções tradicionais de atuação e isso choca Maria, mas que também despertam na mulher mais velha um misto de inveja, curiosidade e repulsa. É como se Jo-Ann representasse uma versão moderna e radical da própria Sigrid e também da Maria quando essa era mais nova.
E enquanto os ensaios continuam, fica ainda mais difícil saber se Maria está realmente interpretando Helena, ou está revivendo suas próprias inseguranças, frustrações e arrependimentos.
E quanto a Valentine? Ela passa de espectadora silenciosa e observadora a uma presença ativa na vida emocional de Maria. E com isso, desafiando sua vaidade e suas certezas, ao mesmo tempo em que alimenta o conflito interno da atriz.
Tem uma cena muito interessante onde Maria e Valentina estão caminhando nas montanhas e você percebe que algumas nuvens parecem ter o formato de uma “Serpente de Maloja”, e nesse momento, Maria parece se perder vendo a imagem e também em suas próprias memórias e temores.
E é justamente nesse momento, em que Maria percebe que sua luta não é apenas contra o tempo ou contra uma rival mais jovem, mas sim sua dificuldade de aceitar as mudanças naturais da vida e da arte.
E quantas pessoas não passam por isso? Como é difícil aceitar essas mudanças naturais da vida. A vida é feita de ciclos. E não é nada fácil terminar um ciclo ou fase da nossa vida. Requer muita maturidade pessoal e emocional para isso.
Por fim, Maria retorna ao palco para interpretar Helena, agora com mais consciência de si mesma, compreendendo que na arte, assim como com a vida, é feita de ciclos. Ela tinha terminado o ciclo da jovem Sigrid e estava iniciando o ciclo da Helena, uma mulher muito mais consciente de si.
Ou seja, o filme faz uma profunda reflexão sobre identidade, envelhecimento, fama e o eterno conflito entre quem fomos, quem somos e quem tememos nos tornar.
E aí? O que vocês acharam do filme? Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.
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Parabéns pelo artigo
Parabéns pelo artigo
Ainda não assisti a este filme, mas já está na minha lista. Pela forma como você o descreve, parece ser bastante sensível