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Marcelo Kricheldorf
Lawrence da Arábia, dirigido por David Lean em 1962, é considerado um dos maiores filmes épicos da história do cinema.Com uma duração de mais de três horas e meia, o filme conta a história de T.E. Lawrence, um oficial britânico que se tornou um herói da Revolta Árabe contra o Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial.
Uma das características mais marcantes do filme é sua plasticidade visual, que se refere à capacidade de criar imagens e sequências visuais que são ao mesmo tempo belas, emocionantes e significativas.
A plasticidade visual de Lawrence da Arábia é em grande parte devida à fotografia de Freddie Young, que foi responsável por capturar as imagens do filme. Young utilizou uma variedade de técnicas para criar imagens que eram ao mesmo tempo realistas e poéticas, incluindo o uso de luz natural, composições inovadoras e uma paleta de cores que variava do deserto árido ao luxo opulento.
O deserto é um personagem importante em Lawrence da Arábia, e Lean e Young o utilizaram de maneira criativa para criar imagens que eram ao mesmo tempo belas e perigosas. O deserto é mostrado como um lugar de beleza e terror, onde a vida é precária e a morte é sempre presente.
A sequência da batalha de Aqaba é um dos momentos mais emocionantes do filme, é um exemplo perfeito da plasticidade visual de Lawrence da Arábia. A sequência é filmada em uma escala épica, com centenas de extras e uma variedade de efeitos especiais. A sequência é também emocionante, com a câmera capturando a ação e a emoção da batalha de maneira intensa e visceral.
O filme foi rodado em 70mm (Super Panavision 70), proporcionando uma resolução e um campo de visão imensos. Lean utilizou a escala épica do deserto para realçar a pequenez do ser humano e a magnitude da jornada de T.E. Lawrence.
O uso de cores vibrantes, especialmente os brancos ofuscantes e os azuis intensos do céu e dos olhos de Peter O’Toole, é icónico. O deserto, em suas diversas tonalidades, de branco a dourado, foi filmado para evocar diferentes humores e sensações, como o calor extremo e a solidão.
Iluminação Natural: Freddie Young confiou fortemente na luz natural do deserto, utilizando as horas de nascer e pôr do sol para criar sombras longas e tons quentes, contribuindo para o realismo e a beleza plástica do filme.
Lean e Young empregaram uma variedade de planos e ângulos para contar a história visualmente, muitas vezes subvertendo as convenções da época.
Planos Gerais e Longos são a marca registada do filme. Lean usou frequentemente planos gerais (e extreme long shots) para estabelecer a localização e enfatizar a vastidão e a desolação do deserto. A famosa cena da “aparição” de Sherif Ali, que começa como um pequeno ponto preto no horizonte e se aproxima lentamente, é um exemplo primoroso da construção de suspense e escala através do plano.
Os Ângulos Baixos/Contra-Plongée são utilizados para conferir monumentalidade às figuras e elementos em cena, especialmente durante as marchas ou confrontos, engrandecendo os personagens no seu ambiente.
Diferente do uso comum do close-up para hiperdramatizar, Lean preferiu planos mais abertos para a maioria das interações, permitindo que a paisagem fizesse parte da emoção e da narrativa. A expressão dos personagens é frequentemente vista em planos médios ou de corpo inteiro, integrados ao ambiente.
A transição de uma chama de fósforo para o nascer do sol no deserto é um dos cortes mais célebres da história do cinema, um salto temporal e espacial que demonstra a fluidez narrativa de Lean.
Lean e Young foram influenciados pelos pintores impressionistas, como Claude Monet e Pierre-Auguste Renoir, e pelos fotógrafos, como Ansel Adams e Henri Cartier-Bresson. Eles também foram influenciados pela arquitetura e pela arte islâmica, que são mostradas no filme de maneira detalhada e respeitosa.
Ganhou 7 Oscars, incluindo Melhor Filme, Direção, Fotografia, Edição, Direção de Arte, Som e Trilha Sonora (Maurice Jarre).
Ficha Técnica: Lawrence da Arábia (1962) 🎬
- Título Original: Lawrence of Arabia
- Duração: 227 minutos (3h47)
- Gênero: Épico, Aventura, Biográfico, Guerra
- Direção: David Lean
- Produção: Sam Spiegel
- Roteiro: Robert Bolt, Michael Wilson (baseado em Seven Pillars of Wisdom, de T.E. Lawrence)
- Elenco Principal:
- Peter O’Toole como T.E. Lawrence
- Alec Guinness como Príncipe Faisal
- Anthony Quinn como Auda Abu Tayi
- Omar Sharif como Sherif Ali
- Jack Hawkins como General Edmund Allenby
- Países: Reino Unido, EUA
- Estreia: 4 de fevereiro de 1963 (Brasil)
- Orçamento: US$ 15 milhões
- Receita: +US$ 70 milhões (relançamentos)
- Idioma: Inglês
- Fotografia: Freddie Young (Super Panavision 70) 🎥
- Trilha Sonora: Maurice Jarre
- Prêmios:
- 7 Oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor, Fotografia, Som, Edição, Direção de Arte, Trilha Sonora)
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