Análise do filme: Quem você pensa que sou. (2019)

Critica de Filmes

Dirigida por Safy Nebbou e estrelado por Juliette Binoche, François Civil, Nicole Garcia, Charles Berling, Jules Houplain e Guillaume Gouix.

Esse filme é uma adaptação do livro de Camille Laurens com o mesmo nome.

Se há uma pessoa que acompanha o trabalho de Juliette Binoche desde pequena, esse alguém sou eu. Eu vejo desde A insustentável leveza do ser. E quando eu soube de Quem você pensa que sou saiu, fiquei muito curiosa. Esse filme é uma mistura de romance com suspense e um pouco de drama psicológico. Juliette Binoche está ótima como sempre.

Claire Millaud (Juliette Binoche) é uma professora universitária de 50 anos. Ela é especializada em Literatura e passa por uma fase turbulenta em sua vida pessoal após um término de relacionamento com Ludo (Guillaume Gouix), um homem mais jovem.

Após perceber que o relacionamento com Ludo não tem mais volta, Claire mergulha em uma depressão profunda. E essa depressão é refletida na fotografia cinza e azulada do filme. Os conflitos internos dela são resultado de momentos de virada em sua vida, mas só descobrimos ao longo da trama.

Sentindo-se emocionalmente rejeitada e invisível em uma sociedade que supervaloriza a juventude, ela decide criar um perfil falso no Facebook. E para isso, utiliza a foto de uma mulher chamada Clara de 24 anos. E diz no perfil que é uma estudante de Letras.

E usando esse perfil, Claire entra em contato com Alex Chevalier (François Civil), um jovem fotógrafo e amigo de Ludo. Uma conversa que de forma inocente e movida pela curiosidade, evolui rapidamente para um vínculo emocional intenso. E mesmo sabendo que aquilo começou com uma mentira, Claire se deixa levar pelas mensagens, pela troca constante de pensamentos, desejos, confidências e fantasias.

O relacionamento virtual com Alex passa a preencher uma lacuna profunda em sua vida, e com isso, despertando sentimentos que há muito tempo estavam adormecidos.

Claire é uma personagem extremamente complexa e cheia de camadas. E a sua personagem de certa forma, me cativa. E Juliette Binoche consegue passar para nós todas essas camadas sem perder o mistério e a tensão.

Conforme a relação vai avançando, Claire entre ainda mais no conflito entre a sua identidade real e a perfil falso que criou. E ela passa a questionar quem ela realmente é. O quanto sua própria essência está sendo ocultada ou reinventada nessa versão idealizada. Ela se tornou dependente das mensagens e da atenção de Alex e com isso mergulhou em um mundo de ilusões e expectativas difíceis de serem alcançadas e controladas.

Mas isso tudo também tem a ver com o envelhecimento. O mergulho na vida de uma mulher que lida com o envelhecimento é o fator que constrói o drama de maturidade. A importância que ela dá a juventude e a necessidade de se sentir desejada. E as suas atitudes moralmente questionáveis.

A trama vai intercalando os acontecimentos reais com as sessões de terapia, nas quais Claire revela sua história para uma psicanalista. E essas sessões vão revelando como, por exemplo, as frustrações amorosas, sua insegurança com o envelhecimento e seu desejo de ser vista, desejada e amada. Como já foi citado acima.

A narrativa desse filme é instigante e ambígua e conduz a todos nós questionarmos o que é a verdade e o que é fantasia. E as consequências das mentiras de Claire são dolorosas e não sai do jeito que a personagem esperava ou queria. E esse resultado mostra que as identidades virtuais podem ter efeitos reais doloridos e devastadores sobre a psique humana.

Por que? Por criarmos expectativas sobre um relacionamento com outra pessoa e toda aquela história não existir realmente e tudo não passar de um sonho bonito. O filme te mostra o perigo da idealização no mundo digital, mostrando como é importante tomarmos cuidado com isso. Para esse tipo de conexão não levar a caminhos de autossabotagem e sofrimento emocional.

Então esse filme não deixa de ser uma alerta ou uma crítica muito bem feita já que te faz refletir e analisar. E só por esse ponto o filme já me venceu.

E aí? O que vocês acharam do filme? Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.

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3 thoughts on “Análise do filme: Quem você pensa que sou. (2019)

    1. Olá, minha amiga Bia! Adoro os trabalhos da Binoche. Para mim ela é uma das melhores atrizes francesas dessa geração. Eu tento sempre acompanhar os trabalhos dela. Obrigada pela força de sempre.

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