Análise do filme: Suspeita. (1941)

Critica de Filmes

Dirigido por Alfred Hitchcock e estrelado por Joan Fontaine, Cary Grant, Elsie Weller, Auriol Lee, Cedric Hardwicke e Nondas Metcalf.

Esse filme é um suspense psicológico estrelado por dois grandes astros do cinema: Joan Foitane e Cary Grant e que explora o medo íntimo, a desconfiança conjugal e a fragilidade emocional dentro de um relacionamento aparentemente romântico e genuíno.

Quem me conhece sabe que eu amo Cary Grant e que vi muita coisa dele. E adoro as comédias românticas, dramas que ele faz. Mas eu tenho que confessar que adorei ver esse filme que é tensão e suspense o tempo inteiro. Joan Fontaine está ótima como sempre. E a trilha sonora também dispensa qualquer comentário.

A trama é adaptação do romance “Before the fact” do autor Anthony Berkeley de 1932. E acompanha Lina McLaindlaw (Joan Fontaine), uma jovem tímida, ingênua e emocionalmente dependente. Ela é filha de um general britânico rígido e moralista. Ela é rica e tem direito a uma bela fortuna.

Sua vida muda da água para o vinho quando ela se apaixona por Johnnie Aysgarth (Cary Grant), um homem charmoso, sedutor e aparentemente despreocupado. É conhecido por seu gosto em tudo que é luxuoso e suas apostas arriscadas.

Lina é uma mulher reservada e moralmente rígida. Enquanto Johnnie é um homem impulsivo e irresponsável. Ele é um playboy que vive apostando com o dinheiro dos amigos. Mas, mesmo assim, eles se casam rapidamente.

Para Lina esse casamento tinha sido um ato de libertação dos pais e um salto no escuro. Ela queria ser livre, mas essa “liberdade” veio com um preço muito alto e será que ela poderia pagar por isso?

Sabe aquele famoso ditado que diz: Antes só do que mal acompanhado? Isso casa perfeitamente com essa história.

Logo após o casamento, Lina começa a perceber aspectos inquietantes da personalidade do marido. Johnnie evita o trabalho estável, mente com muita facilidade, manipula bem as pessoas, tem pouca responsabilidade financeira e inclusive usa o dinheiro dela sem ao menos pedir.

E com o passar do tempo, ela começa a se sentir insegura. Lina descobre que seu marido tem um histórico de fraudes e que os amigos dele o considera pouco confiável… (eu diria nem um pouco), mas tudo bem. E isso abala ainda mais a confiança dela.

A tensão aumenta quando Lina descobre que o melhor amigo de Johnnie, Beaky (Nigel Bruce), morre misteriosamente depois de fazer uma viagem com seu marido.

Coincidências? Um tanto quanto perturbadoras, conversas mal explicadas e detalhes aparentemente banais passam a alimentar na mente dela uma suspeita aterradora. Talvez Johnnie seja capaz de matar as pessoas para resolver seus problemas financeiros. E que ela mesma possa estar na lista e se tornar a próxima vítima.

Hitchcock construiu o suspense a partir do ponto de vista psicológico de Lina, e colocando o telespectador dentro de sua mente ansiosa e insegura. Cada gesto de Johnnie pode ser interpretado de duas formas: como prova de carinho ou como sinal de ameaça.

A famosa cena do copo de leite iluminada simboliza essa ambiguidade constante. Será que muitas das angústias de Lina nasceram de sua própria fragilidade emocional? E também da sua incapacidade de compreender totalmente o seu marido? O amor ou o relacionamento deles um dia será plenamente seguro ou saudável? Acredito que não.

Enfim, o filme é um estudo refinado sobre medo, dependência emocional e projeção psicológica dentro do casamento. E a atuação de Joan Fontaine lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz. Lina era uma personagem profundamente humana, vulnerável e inesquecível. E Hitchcock transforma a dúvida no verdadeiro motor do filme.

E aí? O que vocês acharam do filme? A atriz mereceu o Oscar? Para mim foi merecido. Um beijo a todos e quem quiser comentar, fique a vontade. Até a próxima matéria.

Loading

Compartilhe nosso artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *