Análise do Filme: O Tempo Não Apaga. (1946)

Critica de Filmes

Dirigido por Lewis Milestone e estrelado por Barbara Stanwyck, Kirk Douglas, Van Heflin, Lizabeth Scott, Janis Wilson, Judith Anderson, Roman Bohnen, Mickey Kuhn e Walter Baldwin.

Mais um filme Noir/Thriller na minha coleção. E eu gosto muito desse filme. Mas como sou muito fã de Barbara Stanwyck talvez eu seja suspeita para falar. Ela era uma atriz muito versátil e não é a toa que foi considerada uma lenda. E será para sempre!

Esse filme foi a estreia de Kirk Douglas. Ele ainda era desconhecido. Barbara Stanwyck pediu pessoalmente que ele fosse escalado após vê-lo em uma peça teatral. Ela já era uma atriz famosa e poderosa no cinema.

Lizabeth Scott por ter uma voz rouca e ter um estilo Femme Fatale talvez um pouco mais suave, fez com que a Paramount a promovesse como “Uma nova Lauren Bacall”.

Esse filme mistura elementos clássicos dos filmes Noir: Passado traumático, chantagem emocional, moral e personagens ambíguos, e amores destrutivos.

O roteiro enfatiza a culpa e a decadência moral. Que foram temas recorrentes no período pós-guerra. A história em si veio de um conto de John Patrick, mas que ainda não tinha sido publicado.

Essa é uma das personagens mais complexas de Barbara Stanwyck. E é frequentemente citada como uma das personagens femininas mais moralmente ambíguas do cinema noir.

Martha Ivers é uma mulher poderosa, traumatizada, manipuladora e, ao mesmo tempo, profundamente vulnerável. Mas isso não me surpreende. Nós estamos falando de uma lenda. Barbara Stanwyck é Barbara Stanwyck.

A trama acompanha a vida de Martha Ivers, uma mulher marcada desde a infância por um evento traumático que moldará o seu destino. Ainda menina, ela vive com sua poderosa e tirânica tia, Senhora Ivers (Judith Anderson) que controla a sua vida totalmente.

Em uma noite de tempestade, após uma discussão violenta, a tia é morta, e o crime foi visto pelo amigo de Martha, o jovem Sam Masterson. (Van Heflin)

Martha e Walter O’ Neil (Kirk Douglas) outro colega de infância e filho do tutor da família acabam sendo envolvidos em outra versão da causa da morte da Senhora Ivers. E a verdadeira causa foi totalmente encoberta.

O pai de Walter. (Roman Bohnen) manipula a situação para proteger o filho e garantir um futuro melhor para ele e para Martha.

Alguns anos se passam e eles já estão adultos. Você percebe que cada um seguiu um caminho completamente diferente. Martha se tornou uma mulher rica, e herdou o Império da família Ivers. Walter tornou-se promotor e depois um político, mas é um homem frágil, inseguro e dependente emocionalmente de Martha. E Sam Masterson voltou a cidade depois de sofrer um pequeno acidente e o seu retorno acaba abalando o casal Martha e Walter.

A presença de Sam reacendeu alguns sentimentos mistos em Martha. Sentimentos como: Nostalgia, atração e medo. Sam é uma ameaça direta para Walter. Na verdade, Walter tem medo que Sam descubra a verdade sobre a morte da tia Ivers. E que o outro homem exponha o segredo que eles tanto guardam a sete chaves.

Afinal uma das coisas que sustenta o casamento de Martha e Walter é esse segredo. E claro, o sucesso de sua carreira política.

Sam começa a se envolver com Toni Marachek (Lizabeth Scott), uma jovem vulnerável com quem começa a ter uma ligação afetiva genuína, algo que contrasta com o ambiente tóxico da casa dos Ivers.

E isso mexeu com a cabeça de Martha. A tensão cresce muito e a herdeira da herança dos Ivers começa a agir como louca. Presa entre desejo e paranoia, Martha tenta manipular Sam para tê-lo de volta em sua vida. E assim surge um triângulo carregado de paixão, ambição e culpa.

E Walter? Ele fica tomado por ciúme e álcool, e o seu medo de ser exposto aumentando a cada dia.

À medida que o passado volta para destruir as máscaras que cada um construiu, O casal Ivers começou a enfrentar as consequências inevitáveis do crime que os uniu ainda crianças.

O filme culmina em um desfecho trágico onde amor, culpa e destruição se mistura de forma sombria.

Eu tenho que concordar que realmente essa personagem da Barbara Stanwyck é um dos mais complexos de sua carreira e cheia de camadas. Em vários momentos do filme, eu percebi que fiquei atônita e com a respiração curta. Mais um ótimo trabalho dessa lenda do cinema.

E o que vocês acharam do filme? Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo e até a próxima matéria.

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