Dirigido por Sidney Lumet e estrelado por Henry Fonda, Lee J. Cobb, Joseph Sweeney, Martin Balsam, Ed Begley, Jack Klugman, John Savoca, Jack Warden e E. G. Marshall.
Eu revi esse filme faz pouco tempo. Eu acho esse filme sensacional. Um dos melhores dramas jurídicos para mim. Henry Fonda rouba a cena para ele. Um de seus melhores papéis. E quem gosta de filmes de tribunais e ainda não viu, não sabe o que está perdendo.
Esse drama judicial passa quase todo dentro de uma sala sufocante. O filme começa logo após o julgamento de um jovem de 18 anos, morador de uma comunidade pobre e que é acusado de matar o próprio pai com uma faca.
Se ele for condenado, o réu (John Savoca) enfrentará a pena de morte. A responsabilidade está nas mãos dos 12 jurados que terá que decidir por unanimidade, se ele é culpado ou inocente.
Inicialmente, a votação parece ser apenas uma formalidade. A maioria dos jurados queria votar logo e assim voltar para as suas vidas. E nem começaram a debater e analisar o caso. Eles queriam sair rapidamente daquela sala abafada e votaram de qualquer jeito. Foram 11 votos culpado contra 1 inocente.
Esses 11 jurados condenaram o rapaz sem ao menos analisar as provas apresentadas no julgamento e para eles era fato o jovem ser culpado. Somente o Jurado n° 8 (Henry Fonda) votou não culpado.
Ele não afirma que o jovem é inocente, mas acredita que a vida de uma pessoa merece, no mínimo, uma discussão cuidadosa e racional, especialmente diante da possibilidade dele ter a pena de morte.
A atitude respeitosa, calma e analítica do Jurado n° 8 provoca tensão imediata. Já que a maioria dos jurados estava ansioso para saírem de lá o quanto antes. A maioria dos jurados movidos por preconceitos sociais, problemas pessoais, raiva e impaciência.
Porém, o Jurado n° 8 insiste em revisar cada ponto das evidências, provas, propondo debates e encorajando os colegas a refletirem com mais profundidade.
Aos poucos, ele consegue desmontar a solidez das supostas provas. Como, por exemplo, a faca usada. No julgamento ela tinha sido considerada única e rara, mas não era tão rara assim. Já que ele mostrou uma faca igualzinha a aquela usada no crime.
A testemunha idosa que tinha afirmado ter ouvido o crime e visto o réu fugir. Ela poderia não ter tido capacidade física para ouvir tudo o que disse.
A mulher que terminou vendo o assassinato pela janela talvez não enxergasse tão bem sem o seus óculos.
Além disso, o comportamento do réu e seu histórico familiar podem ter sido interpretados com preconceito e simplificação excessiva.
A medida que o Jurado n°8 foi mostrando essas coisas, os jurados começaram a mudar de opinião e marcar não culpado. E o clima na sala foi ficando cada vez mais carregado. E foram sendo revelados conflitos internos, visões do mundo preconceituosas entre os jurados.
Um dos momentos mais intensos acontece quando o Jurado n° 3, dominado por problemas com seu próprio filho, explode emocionalmente ao perceber que suas convicções estavam contaminadas por sentimentos pessoais e não por fatos.
Há nessa sala uma jornada de confronto moral e emocional para todos. No final, os 12 jurados chegam à decisão unânime que o réu não era culpado. Eles não tinham como provar tal afirmação.
O Jurado n°8 saiu da sala sem necessidade de reconhecimento. Ele já tinha feito algo grandioso que foi salvar uma vida que poderia ser inocente e acabar sendo prejudicado por preconceitos.
E a grandeza do Jurado n°8 está em ter defendido o valor da dúvida razoável e a importância de uma reflexão ética quando uma vida está em jogo.
E aí? O que vocês acham dessa obra prima de Sidney Lumet? Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.
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