Apesar das falhas e defeitos, “A Própria Carne” ainda assim tem um saldo positivo
“A Própria Carne” (2025), dirigido por Ian SBF, é um filme de terror que começa com uma atmosfera sombria e assustadora, graças à direção que utiliza muitos closes e planos detalhes, criando uma sensação de tensão e suspense desde os primeiros minutos. A trama se passa em 1870, durante a Guerra do Paraguai, um conflito tão pouco falado e tão importante ao mesmo tempo, mas que infelizmente se perde no decorrer do filme e fica apenas como um pano de fundo para contar a história da tentativa de fuga dos desertores do pelotão de fuzilamento. A história segue três soldados desertores que encontram abrigo em uma casa isolada, habitada por um fazendeiro misterioso (Luiz Carlos Persy) e uma jovem (Jade Mascarenhas).
O elenco é composto por atores pouco conhecidos, como Jorge Guerreiro, George Sauma e Pierre Baitelli, que entregam performances convincentes. A direção de Ian SBF, mesmo sendo sua primeira incursão no terror, é um dos pontos positivos do filme, criando uma atmosfera tensa e misteriosa que prende o espectador. No entanto, o filme acaba se perdendo no seu desenvolvimento, com uma narrativa que se torna auto-expositiva e previsível, e com um final um pouco apressado. A tensão e o suspense que foram tão bem construídos no início do filme se dissipam, deixando o espectador um pouco frustrado.
Um dos pontos mais altos do filme é, sem dúvida, a atuação de Luiz Carlos Persy como o fazendeiro. Ele entrega uma performance brilhante, criando um personagem sombrio e perturbador que é a força motriz do longa. A fisicalidade que ele traz para o papel é impressionante, desde a forma como se move até a maneira como olha para os outros personagens. É uma atuação que rouba a cena e carrega o filme nas costas, criando um vilão icônico.
A produção desse longa-metragem por parte do pessoal do “Jovem Nerd” é um ato corajoso e ousado, e é interessante ver o canal sair da posição de espectador e partir para a produção de audiovisual. É um passo importante e que deve ser elogiado, mas, apesar do domínio teórico, fica claro que a prática ainda carece de um aprimoramento.
Apesar das falhas e defeitos, “A Própria Carne” ainda assim tem um saldo positivo. É muito bom ver gente nova ligada ao áudio visual, como a turma do Jovem Nerd, botar a mão na massa e correr o risco de produzir um filme. É um passo importante e que deve ser enaltecido, pois mostra que estão dispostos a sair da zona de conforto e tentar algo novo.
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Parabéns pelo artigo.
Parabéns pelo artigo
Parabéns pela análise meu nobre
Achei o artigo interessante! Bacana você valorizar o trabalho dos jovens!
Eu lendo seu (belo) texto/análise e ouvindo sua voz ao mesmo tempo. Alexandre- O Grande