ANÁLISE DO FILME – CURTA METRAGEM ALICE 2005

Cinema Critica de Filmes

Direção e Roteiro: Rafael Gomes

Produção Executiva e Direção de Produção: Gabriela Ribeiro

Direção de Fotografia: Caroline Leoni

Diretora de Arte: Adriana Kordon

Elenco: Fernando Alves Pinto, Simone Spoladore

Gêneros: Ficção

Subgênero: Drama, Romance

Duração: 15 min Ano: 2005 Formato: 35mm

Revisitar Alice, curta-metragem dirigido por Rafael Gomes, é perceber como o cinema, quando construído a partir da essência da linguagem, da imagem, som, tempo e silêncio, atravessa o tempo sem perder a força. Em 2017, quando estudava cinema sob uma perspectiva mais ampla, compreendendo-o não apenas como narrativa, mas como filosofia, imagem e som, escolhi o Curta Metragem Alice por sua delicadeza e caráter reflexivo. Porque o silêncio me incomodava, mas ao mesmo tempo me trazia algo, sensações.

Hoje, ao reencontrá-lo, a experiência é outra: mais visceral, mais conectada às angústias, mesmo sendo um filme realizado em 2005 e com recursos mínimos de produção.

A força do curta está justamente na ausência. O silêncio e as pausas não são vazios narrativos, mas elementos expressivos que comunicam a falta, a espera e o desencontro. Em seus 15 minutos, Alice constrói um retrato sensível do desespero silencioso e da solidão cotidiana, por meio de um recorte simples, porém profundamente humano. A narração em off dialoga com as imagens de maneira precisa, o que eu gosto muito, ampliando o sentimento de perda e tornando a experiência ainda mais íntima.

A relação entre os dois personagens é marcada pela impotência diante do não-encontro. Há uma dor contida, quase sufocante, que se transforma em poesia visual. A música atua como extensão emocional da narrativa: traz nostalgia, melancolia e, um certo conforto, como se embalasse a dor.

Pra mim, a trilha sonora não apenas acompanha, mas sustenta o enredo, dando charme e densidade à busca pelo amor inserida. O filme provocou em mim este sentimento de saudade, angústia e expectativa, conduzindo-me  por essa ansiedade constante de saber se, afinal, os personagens irão se encontrar.

A fotografia é como se reforçasse este tom poético e silencioso.

E assistir novamente hoje desperta a pergunta inevitável: como essa história se desenrolaria em uma era dominada pela tecnologia e pela comunicação instantânea? Essa distância temporal reforça ainda mais o impacto emocional do filme.

O desfecho é emocionante e aberto, permitindo que o espectador projete seus próprios sentimentos e interpretações.

Alice é um filme que resiste ao tempo porque entende que o cinema, antes de tudo, é sensação, escuta e espera.

É justamente na simplicidade da construção que o filme encontra sua força

Disponível no YouTube: https://youtu.be/p-rxTkTAZ5I?si=UV5oRyCRBfoXqa25

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