Direção: Vincent Paronnaud
Elenco: Lucie Debay, Arieh Worthalter, Ciaran O’Brien, Ryan Brodie, Simone Milsdochter, Gilles Vandeweerd, Christian Bronchart, Jean-Mathias Pondant, Kevin Van Doorslaer, Guillaume Kerbusch, Dianne Weller, Bruce Ellison, Leila Putcuips, Clélia Zanini, Alexis Vandendaelen
Um filme violento, visceral e surtado, capaz de gerar muita tensão, raiva e perturbação
Após um dia de trabalho estafante e de muita cobrança por parte de seu chefe, para ter mais atitudes e ser mais rigorosa na relação com seus subordinados e fornecedores, Eve, que está solitária e longe de casa, hospedada em um hotel, se dirige a uma boate para tomar uns drinks e relaxar. Lá, ela se envolve com um homem muito gentil, divertido e sedutor. Porém, ao irem para o carro dele para ficarem mais à vontade, tudo se transforma rapidamente, e a longa jornada de horror de Eve está apenas começando.
A produção franco-belga é uma espécie de releitura de “Chapeuzinho Vermelho” e utiliza elementos de slasher, suspense e vingança. O filme começa com um diálogo entre mãe e filho, onde ela fala sobre uma antiga lenda, que é apresentada através de um belo trabalho de animação. Essa introdução, além de ser muito bonita e lúdica, é superimportante, pois abre uma brecha para o fantástico, para a fantasia, que será fundamental para manter a sustentação da descrença até o final.
A direção é muito interessante e estilosa, produz uma fotografia belíssima e utiliza vários match cuts nas transições dos planos, que dão um charme peculiar à obra. A narrativa adota um aspecto bastante realista na maior parte do longa, entretanto, no terço final, este realismo dá lugar a cenas mais alegóricas, surreais e exageradas.
Compreendo que essa drástica alteração de tom cause incômodo a alguns, entretanto, entendo que, além de estar prevista no universo do próprio filme, através da sua introdução, essa mudança se justifica plenamente por acompanhar o movimento do estado psicológico da protagonista, que antes era tímida e equilibrada e se transforma numa mulher enfurecida, raivosa e insana.
“Hunted” é um filme violento, visceral e surtado, capaz de gerar muita tensão, raiva e perturbação, que pode ser um excelente entretenimento, se assistido com a mente aberta.
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Parabéns pela análise, não vi o filme mas gostei do seu artigo