Direção: Paul Verhoeven Com Isabelle Huppert, Lauren Lafitte, Anne Consigny, Cristian Berkel, Eliseu Lahouas, Virginie Efira, Charles Bering, Jonas Bloquet, Judith Magre, Raphael Lengret, Arthur Mazet entre outros ” A criança assustada que fui mora em mim e se vinga ” O filme começa com uma cena brutal de estupro, o espectador assiste junto com o gato da vítima. Nesse momento ficamos conhecendo a mesma, Michèlle Leblanc, interpretada por Isabelle Huppert, nesse filme de Paul Verhoeven, realizado em 2016. O impacto da abertura só não é maior que o da reação da protagonista após a violência : como se nada tivesse acontecido sai com amigos e lhes conta com naturalidade o que ocorreu. Ao choque dos mesmos reage com indiferença. Michèlle é uma mulher que viveu um episódio traumático na sua infância, que, talvez, seja a causa da dissociação que faz das pessoas e fatos de sua vida. Muitas vezes cruel com quem convive, sem empatia, também não sente como significativo seu estupro, assim como o sofrimento de qualquer pessoa. Ela apenas “está lá “, tem um cargo bem remunerado, é uma mulher poderosa, mas ausente de sua própria vida. Logo no meio do filme temos a identidade do estuprador revelada, e então um jogo de poder toma lugar entre os dois. Não fica clara qual a motivação da personagem, o seu extracampo seria seu passado, que a marcou e a fechou dentro de um vazio. O estupro se repete e, ela parece ao mesmo tempo buscar por ele, mas, quando o mesmo se consome explode um desejo de vingança. Ela se sente atraída pelo seu algoz, mas não quer o ato violento que ele procura. Não vejo suas atitudes como feministas, ela é impiedosa com homens e mulheres da mesma forma. O que vivenciou com seu pai tão pequena criou um ser robótico, incapaz de sofrer com qualquer coisa, já que nada poderia lhe ferir da mesma forma. A revelação de uma personagem chave no final mostra a imprevisibilidade do ser humano, sempre surpreendente. Importante frisar que Verhoeven precisou filmar na França, já que nos EUA nenhuma atriz aceitou o papel. Ponto para Huppert, que ganhou o prêmio César de melhor atriz. Assim como a obra levou também o César de melhor filme.
![]()
