Katherine (Florence Pugh) está presa a um casamento de conveniência. Casada com Boris Macbeth (Christopher Fairbank), a jovem agora se vê integrante de uma família sem amor. É só quando ela embarca em um caso extraconjugal com um trabalhador da propriedade do marido que as coisas começam a mudar. Ela só não contava que isso iria desencadear em uma série de ações extremas.
Mais do que uma discussão sobre o papel feminino na sociedade da época em que é passado, “Lady Macbeth” é também o estudo de uma personagem complexa, Katherine é vítima e vilã ao mesmo tempo, fato que vai sendo compreendido no decorrer da trama, culminando num ato final revoltante. Florence está espetacular no papel de Katherine, a personagem passa de uma esposa submissa num relacionamento inexistente, para uma mulher calculista, intensa e decidida a conseguir tudo o que quer, não importa como. Em alguns momentos Katherine me lembrava a Rainha Margot do filme homônimo de 1994, mas as comparações não demoram a sumir quando a faceta mais cruel de Katherine vem à tona.
Com pouco menos de 88 minutos, “Lady Macbeth” é um drama que surpreende, impacta e tudo isso sem mostrar absolutamente nada explicitamente gráfico. A força da personagem é o grande trunfo do filme. Tecnicamente falando também é um espetáculo, fotografia, figurino e principalmente a ausência da trilha sonora nos convida aos olhares de Katherine, seja em seus momentos de prazer como também de frieza extrema. Um filmaço.
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Parabéns pela análise
Levanto mais alguns elementos interpretativos para este filme. Lady Macbeth é uma das principais personagens da peça Macbeth de William Shakespeare. Em Shakespeare é retratada como uma mulher ambiciosa, muito manipuladora de tal forma que ela pode ser vista, nos dias de hoje, como uma sociopata. Por ser uma das peças mais lidas de Shakespeare, estas características tomaram forma em outras personagens posteriores como Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk de NIcolay Lesbov. Este último texto servil de base para a ópera de mesmo nome de Dimitri Shostakovich na década de 1930 na Russia. E, ao que me parece, também servil de base ao roteiro do filme Lady Macbeth de 2017 ora aqui analisado.