ANÁLISE DO FILME – O FALSÁRIO (2026)

Arquitetura Artes Plásticas Cinema Critica de Filmes Pintura

Diretor: Stefano Lodovichi

Produção: Alessia Sinistro, Donatella di Benedetto

Roteiro: Lorenzo Bagnatori, Sandro Petraglia

Gênero: Drama/História/Thriller

Elenco principal: Pietro Castellitto (como Toni) e Giulia Michelini

Idioma: Italiano

Ambientado em Roma na década de 1970, O Falsário acompanha Toni, um jovem que chega à cidade movido pelo sonho de se tornar um grande artista. No entanto, uma sequência de contratempos o conduz ao submundo da falsificação de obras de arte, onde passa a atuar para uma gangue criminosa. Inspirado em fatos reais, o filme vai além do simples relato biográfico e se constrói, sobretudo, como uma experiência visual.

O que mais se destaca na obra não é apenas a narrativa, mas a potente construção estética. A reconstituição dos anos 70 é extremamente fiel: cenografia, figurinos e trilha sonora trabalham em conjunto para transportar o espectador para a época. A direção de arte se mostra cuidadosa e coerente, criando uma atmosfera que dialoga diretamente com o contexto histórico e artístico do período.

Um dos aspectos mais marcantes é o uso recorrente de elementos geométricos na arquitetura e nos espaços cênicos. Linhas retas, ângulos e formas geométricas reforçam a estética do filme e orientam o olhar do espectador para a composição visual. Essa escolha não é meramente decorativa: ela constrói uma sensação artística constante e remete ao próprio processo criativo, convidando o público a observar forma, cor e imagem como parte ativa da narrativa.

Visualmente, o filme estabelece um estudo rigoroso de composição. A geometria presente na cenografia contribui para criar tensão, instabilidade e uma sensação de perigo, especialmente por meio de triângulos e linhas angulares, frequentemente associados no cinema a personagens ambíguos, vilões ou contextos de risco. Essa linguagem visual acaba sendo uma das maiores forças do filme, e foi este ponto que me chamou a atenção.

Já no campo narrativo, a obra perde parte de sua potência. Em diversos momentos, a história se torna explicativa, o que enfraquece a dramatização. Trazer fatos verídicos para o cinema é sempre um desafio: exige equilíbrio entre fidelidade histórica e envolvimento dramático.

É importante destacar que o filme não romantiza o crime da falsificação. Pelo contrário, ao evidenciar esse universo, provoca uma reflexão sobre a importância de analisar criticamente as obras de arte que consumimos, afinal, esse tipo de crime é mais comum do que se imagina. Ainda assim, o grande foco da obra está na construção imagética e no cuidado extremo da direção e da fotografia em recriar uma beleza artística marcada por formas geométricas e sensações visuais.

Essa abordagem remete ao trabalho de grandes cineastas, que nos inspiram, como Stanley Kubrick, conhecido pelo uso rigoroso de eixos, simetria e planos geométricos para moldar a narrativa e a psicologia dos personagens.

Em O Falsário, luz, cor, geometria e som dialogam de maneira orgânica, não apenas como elementos isolados, mas como estrutura narrativa.

O resultado visual é impressionante. Mesmo com fragilidades no roteiro, as imagens e cores se entrelaçam.

 “Quando a narrativa enfraquece, a imagem sustenta o filme.”

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