Análise do filme: Django 1966

Critica de Filmes

O início de Django, dirigido por Sergio Corbucci, já estabelece o tom sombrio da obra. Vemos o personagem central Franco Nero, caminhando lentamente, com uma sela nas costas e arrastando um caixão pela lama, ao som da canção-tema composta por Luis Bacalov e interpretada por Rocky Roberts. A música, melancólica e quase fúnebre, antecipa a solidão e o destino trágico que acompanham o protagonista.
Durante essa travessia por um cenário sujo e decadente, Django atravessa terrenos lamacentos que parecem simbolizar um Oeste moralmente apodrecido. Ao chegar a uma ponte, depara-se com uma mulher sendo brutalmente chicoteada por mexicanos. A princípio, temos a impressão de que ela será salva por homens encapuzados com capas vermelhas que surgem no horizonte. No entanto, rapidamente percebemos que aquilo não passa de um engodo.
Nosso forasteiro empurra seu caixão pelo lamaçal até chegar à cidade, um lugar decadente que parece afundar na própria sujeira. Ao seu lado está Maria, interpretada por Loredana Nusciak, ainda marcada pela violência que sofreu. Ambos entram no saloon, ponto central daquela comunidade arruinada. Lá dentro, o barman e as garotas observam a chegada de Django e Maria com uma mistura de curiosidade e tensão. O barman demonstra claro receio da presença da mulher, pois sabe exatamente quem ela é e o que representa naquele território dominado pelo medo.
A atmosfera fica ainda mais pesada quando um dos homens do Major Jackson, vivido por Eduardo Fajardo, entra no local. Ele tenta hostilizar Django, acreditando estar diante de mais um forasteiro indefeso. No entanto, a tentativa de intimidação termina de forma humilhante: Django reage com frieza e o desarma moralmente ao atingi-lo com uma rolha, deixando claro que não é um homem comum e muito menos alguém fácil de provocar.
O mais interessante no filme é o duplo confronto entre Django e o Major Jackson. O primeiro acontece dentro do saloon, quando a tensão explode em violência e Django elimina cinco homens de forma rápida e implacável. Essa sequência já demonstra que ele não é um simples forasteiro há método, frieza e preparação em cada movimento. O segundo encontro ocorre na rua, em pleno espaço aberto, quando Django encara Jackson e o provoca, ordenando que ele traga todos os seus 48 homens para enfrentá-lo.
É justamente nesse momento que o filme atinge seu ponto alto. O mistério construído desde a primeira cena finalmente se revela: descobrimos o que há dentro do caixão que Django arrasta desde o início. O objeto deixa de ser apenas um símbolo fúnebre e se transforma no elemento central da carnificina que se seguirá. Corbucci constrói essa cena com grande senso de espetáculo, transformando o confronto em algo quase operístico e exagerado, violento e memorável, consolidando Django como uma figura lendária dentro do western italiano.
Essa é a premissa desse clássico do western spaghetti, onde até os minutos finais somos conduzidos por reviravoltas inesperadas e uma sucessão implacável de mortes. Posso colocá-lo tranquilamente na minha lista dos 20 melhores westerns de todos os tempos. Dentro do contexto das produções italianas que surgiram a partir dos anos 60, o filme se consolidou como uma das realizações mais marcantes do gênero. Sergio Corbucci deixa aqui um legado duradouro, posicionando-se ao lado de outro grande mestre do western italiano, Sergio Leone.
Django, dirigido por Sergio Corbucci, transformou o western ao intensificar a violência, apresentar um anti-herói sombrio e retratar um Oeste sujo e desesperançado. Diferente do estilo épico de Sergio Leone, o filme adotou um tom mais brutal e niilista, influenciando o western revisionista e inspirando cineastas posteriores como Quentin Tarantino.
Se você quiser ver o filme: https://www.youtube.com/watch?v=ytv4xwbvlX0– caso queira me seguir no youtube: https://www.youtube.com/@ricardorickmurilo ou no facebook: https://www.facebook.com/ricardo.freitas.929014, fiquem à vontade deixando um comentário abaixo sobre minha análise e obrigado pela oportunidade.

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28 thoughts on “Análise do filme: Django 1966

  1. Boa tarde Ricardo li seu texto analítico sobre o filme Django ,e está perfeito sobre a trama um filme que assisti na telona em 1069,parabéns pela análise está perfeita

  2. Excelente analise, tenho Django como uma das melhores lembranças de minha infância, primeiro filme de faroeste que assisti com meu pai em uma TV preto e branco em férias no litoral, aí começou meu gosto por faroeste.

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