Direção: Marcus Baldini
Elenco: Mônica Martelli, Paulo Gustavo, Daniele Valente, Eduardo Moscovis, Marcos Palmeira, Humberto Martins, José Loreto, Herson Capri, Peter Ketnath, Irene Ravache, Julia Rabelo
Uma diversão acessível, com momentos de brilho em meio a tropeços visíveis
“Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou!” é uma comédia romântica brasileira dirigida por Marcus Baldini, baseada na peça homônima de Mônica Martelli, que também estrela o filme como Fernanda, uma mulher de meia-idade em busca incessante pelo amor perfeito. O longa, lançado em 2014, mistura humor com reflexões sobre relacionamentos modernos, maternidade e as expectativas femininas na sociedade contemporânea. Embora não seja uma obra-prima, o filme se sustenta como uma diversão acessível, com momentos de brilho em meio a tropeços visíveis, resultando em uma experiência mediana que agrada mais pelo carisma do elenco do que pela inovação cinematográfica.
Um dos pontos fortes do filme é como ele articula bem a idealização feminina em relação aos relacionamentos e a busca por um amor verdadeiro. Fernanda representa aquela mulher urbana, bem-sucedida profissionalmente, mas frustrada no campo afetivo, que projeta expectativas irreais nos parceiros. O roteiro, adaptado da peça teatral, captura com humor as desilusões amorosas, como encontros desastrosos e a pressão social para encontrar “o cara certo”. Essa abordagem ressoa com muitas espectadoras, transformando clichês românticos em piadas autoconscientes, sem cair no cinismo total. No entanto, por vezes, a repetição de situações semelhantes faz o tema parecer superficial, mais uma coleção de esquetes do que uma exploração profunda.
Outro aspecto bem trabalhado é a questão da mulher de meia-idade em sua busca pela maternidade. Aos 39 anos, Fernanda lida com o relógio biológico, o que adiciona camadas emocionais ao enredo, destacando as inseguranças e o desejo de plenitude familiar. É um retrato honesto de uma realidade comum, que evita o melodrama excessivo e integra o humor para tornar a discussão mais palatável.
O elenco é um dos pilares do filme, com um ótimo trio de protagonistas: Mônica Martelli, Daniele Valente e Paulo Gustavo. Martelli, em particular, traz autenticidade à sua personagem, misturando vulnerabilidade e comicidade de forma natural, como se estivesse revivendo sua própria peça. Valente, como a amiga confidente, oferece um contraponto divertido, e Paulo Gustavo, embora tenha pouco tempo de tela como o hilário amigo gay Aníbal, brilha intensamente quando aparece, suas cenas são explosões de energia e timing cômico perfeito, roubando o show com tiradas afiadas que elevam o humor da obra. O elenco de apoio é competente no geral, com participações sólidas que sustentam o ritmo, mas alguns atores realmente comprometem com atuações terríveis, marcadas por overacting ou falta de talento mesmo, o que quebra a imersão em alguns momentos.
Na direção, Marcus Baldini adota uma abordagem discreta, priorizando a funcionalidade em detrimento da ousadia visual. A decupagem é simples, com enquadramentos básicos e transições previsíveis, o que faz o texto carregar o peso da narrativa. O roteiro, cheio de diálogos espirituosos e referências pop, é o verdadeiro motor do filme, mas a falta de inventividade na mise-en-scène deixa algumas cenas parecendo mais teatro filmado do que cinema propriamente dito.
No fim das contas, “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou!” é um bom filme, mesmo com muitos problemas visíveis. Ele entretém com seu humor leve e temas sensíveis, especialmente para o público feminino, mas não transcende os limites de uma comédia comercial brasileira típica.
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