Análise “As Invasões Bárbaras” (2003)

Critica de Filmes

Denys Arcand emociona com continuação de “O Declínio do Império Americano” (1986)

No elenco: Rémy Girard, Dorothée Berryman, Stéphane Rousseau e Marie-Josée Croze.

O filme As Invasões Bárbaras (2003) é a sequência de O Declínio do Império Americano (1986),
também escrito e dirigido por Denys Arcand. A história gira em torno de Rémy um professor
universitário de Montreal que é internado devido a um câncer no fígado. Como sua condição é grave,
sua ex-esposa liga para o filho, Sébastien, pedindo que venha ajudá-lo, já que o hospital está em
péssimo estado e a outra filha está velejando pelo Oceano Pacífico. No entanto, pai e filho mantêm
uma relação complicada: ambos são orgulhosos demais para pedir perdão pelos erros e agradecer
pelos esforços um do outro.

Não é necessário assistir ao primeiro filme para compreender os acontecimentos deste, mas,
observando os temas das duas obras, nota-se que o estilo de humor é o mesmo: conversas sobre
sexo e filosofia, com piadas e descontração, até o famoso turning point e o tom fica dramático.
Inicialmente, o espectador tem dificuldade em simpatizar com os personagens: o pai, mesmo doente,
recebe visitas de ex-amantes e não aprecia nada do que o filho faz por ele. Já Sébastien é rico e
tenta resolver todos os problemas com dinheiro e suborno. Todos os amigos de Rémy que aparecem
só falam sobre sexo e literatura, como se tudo o que tivessem feito em suas vidas fosse ler e transar.

Entretanto, de uma hora para outra, o espectador começa a se preocupar e a se afeiçoar aos
personagens. Mesmo ciente do quadro clínico de Rémy, torce para que ele não sofra, para que faça
as pazes com o filho e permaneça junto dos amigos. Ao longo do filme, percebe-se que “as
invasões” a que o título se refere estão por toda parte: no tráfico de drogas, nos ataques terroristas,
nas ligações de trabalho intermináveis, na falta de privacidade e na precariedade dos hospitais
públicos canadenses, entre outros problemas.

Nesse contexto, a morte também pode simbolizar o fim de um “sonho”. Rémy e seus amigos,
sentados à beira de um lago, relembram seus melhores momentos e discutem qual seria a melhor
forma de morrer. Um dia, farão suas últimas refeições, suas últimas viagens, escreverão seus
últimos textos e, quando perceberem, tudo terá acabado. Diante disso, o amor e a amizade se
mostram mais fortes que qualquer briga ou desavença.

As Invasões Bárbaras, mesmo tendo como protagonista um personagem com uma doença
terminal, fala muito sobre a vida e as relações interpessoais. O filme aborda esses temas com tanta
sensibilidade que desperta o interesse em assistir O Declínio do Império Americano (1986), para
confirmar se o diretor consegue manipular as emoções do espectador com a mesma maestria. A
película venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e concorreu a Melhor Roteiro Original, mas
perdeu para Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola, outro drama amplamente elogiado
pela crítica.

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