Banduo, formado por Maik Oliveira e Rafael Esteves, lança álbum Dobras concebido para dois bandolins

Música

Nodia 27 de fevereiro de 2026, sexta-feira, o Banduo – formado pelos bandolinistas Maik Oliveira e Rafael Esteves – lança o álbum Dobras nas plataformas digitais de música. O lançamento integra o projeto Banduo – O Bandolim e Suas Texturas,lançado pelo duo, em 2025, no qual exploram as possibilidades sonoras do bandolim.

Com direção musical de Alisson Amador, o álbum apresenta 10 faixas inéditas, entre composições próprias e de outros autores, feitas especialmente para o Banduo. Os arranjos trazem assinaturas de quatro instrumentistas, referências na cena contemporânea – Edmilson Capelupi, Milton Mori, Marcílio Lopes e Alisson Amador, além do próprio Rafael Esteves.

Nesse dueto, o virtuosismo de Maik Oliveira e Rafael Esteves é aplicado às possibilidades do bandolim, mesclando influências do choro com a música instrumental e de câmara (com destaque para J.S. Bach) em busca de sonoridades inovadoras e potentes. O flerte com a música camerística traz uma singularidade muito em virtude da formação inusitada de dois bandolins. Os músicos ressaltam a importância desse encontro sonoro de dois instrumentistas que começaram tocando samba e pagode na periferia de São Paulo – Maik em São Bernardo do Campo e Rafael em Guarulhos – até iniciarem no universo do choro. E agora, o encontro com Alisson Amador, músico de formação clássica, natural de Heliópolis, que chegou para contribuir, inicialmente como professor de rítmica, chegando à direção musical pela sintonia identitária com os artistas e com o trabalho do Banduo.

O nome do disco, Dobras, o primeiro a nomear o duo, brinca com a dualidade proposta pelo projeto, seja nos trocadilhos possíveis, tanto por ser um duo de bandolins, um instrumento de cordas dobradas, quanto nas duas ‘vozes’ nas músicas. Também são cinco compositores e cinco arranjadores, em arranjos com contrapontos, texturas, um trabalho que mostra um outro lado do bandolim, não sendo um regional de choro, no qual o clássico conversa com o choro que, por sua vez, conversa com o clássico e com as periferias – a música de origem africana se harmonizando com a estética surgida na Europa.

Abrindo o álbum, “Estudo em G Menor” (Rafael Esteves) tem arranjo do autor e de Milton Mori. Nasceu como um estudo de técnica e ganhou uma segunda voz de bandolim no arranjo de Mori. Uma surpresa no meio do caminho, referindo-se à tonalidade, dá uma bela prévia do que vem pela frente. A segunda faixa, “Manu” (Edmilson Capelupi), com arranjo do autor, foi composta especialmente para o Banduo; uma “polca saltitante” em homenagem à Manu, filha de Maik. A faixa evidencia a beleza do instrumento em três partes com funções muito bem definidas: Maik no acompanhamento e Rafael no solo para finalizar em equilíbrio e harmonia entre os dois bandolins.

As próximas composições – Suíte Banduo (Rafael Esteves) – traz os três movimentos tradicionais da música de câmara. Criação do autor e arranjador para esse trabalho, a primeira, “Suite Banduo: I. Joropo”, é uma valsa em referência ao homônimo gênero tradicional venezuelano, de ritmo alegre e dançante. “Suíte Banduo: II. Valsa Evocativa”, como o próprio nome sugere, é mais lenta, melancólica; uma valsa-choro na qual a mistura incomum do erudito com o choro popular se converge na beleza nesse arranjo. No terceiro movimento, “Suíte Banduo: III. Choro”, o arranjo retoma o tom alegre, vibrante, como o bandolim tradicional tocando choro.

A sexta faixa, “Portal Favela” (Alisson Amador), tem significado amplo em Dobras – com arranjo do autor. A composição foi inspirada no encontro entre os três músicos. O tema narra a história desses artistas que atravessaram o ‘portal periférico’ e celebram juntos na música, no ritmo, na arte desse trabalho. Seguindo, vem “Leonor” (Maik Oliveira e Rafael Esteves), cuja primeira parte havia sido composta por Rafael, há tempos. Maik entrou com seu talento na criação da segunda parte e Rafael fechou a obra. A faixa, muito representativa desse projeto dos bandolinistas, conta com arranjo assinado por Marcilio Lopes, que ressalta as características do regional de choro, e tem participação especial de Milton Mori no violão tenor. Marcílio e Mori também estão presentes em “Brandura de Gênio” (Rafael Esteves) que, assim como a música anterior, tem destaque na sonoridade do regional de choro. A composição de Rafael é uma homenagem ao amigo Beto Casemiro, bandolinista do ABC falecido em 2020.

Chegando no final vem o belo choro “Conversa de Bandolins” (Milton Mori), composto especialmente para Dobras. A música marcou o início dos estudos de Maik Oliveira e Rafael Esteves para o álbum, sendo um deleite para o duo ao possibilitar o trânsito pelas nuances rítmicas e harmônicas do bandolim. Também arranjador da faixa, Mori a compôs pensando unicamente no instrumento em questão. O choro ritmado “Não Foi Dessa Vez!” (Maik Oliveira) fecha o álbum em arranjo primoroso de Edmilson Capelupi, que explora a densidade rítmica e harmônica do instrumento com nuances provocativas, deixando a parte final para o improviso livre dos bandolinistas. Maik compôs a música para um festival, estimulado por seu amigo e professor Renan Bragatto, mas não a tempo de se inscrever, permanecendo inédita até o momento.

O bandolim – instrumento emblemático da música brasileira, ligado a nomes como Jacob do Bandolim, Luperce Miranda, Isaías Bueno e Déo Rian – ganhou um novo olhar nesse projeto pelo diálogo entre o choro e a música de concerto, ampliado por uma abordagem contemporânea capaz de atrair os ouvintes mais diversos.

Maik Oliveira é bandolinista com mais de 20 anos de trajetória. Tocou com nomes como Inezita Barroso, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nilze Carvalho, Eduardo Gudin, Sérgio Reis e Rolando Boldrin. Foi aluno de Jane do Bandolim, Edmilson Capelupi, Silvia Góes e Luizinho 7 Cordas. Atualmente tem seu trabalho solo Maik Oliveira e Regional e integra os grupos de Marina de la Riva e Paula Sanches.

Rafael Esteves é bandolinista, educador, compositor e arranjador. Venceu o Festival Jorge Assad com o Quarteto Pizindim, com o qual se apresenta em unidades do Sesc e outros circuitos culturais. Como solista, já atuou com a OCAM-USP e com grandes nomes da música brasileira como Dona Ivone Lara, Monarco, Almir Guineto e Péricles.

O projeto Banduo – O Bandolim e Suas Texturas é realizado com recursos do edital PNAB 24/2024 de Gravação e Lançamento de Álbum Musical Inédito, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; e do Ministério da Cultura e do Governo FederalLançamento/álbum: Banduo – Dobras

Artistas: Maik Oliveira e Rafael Esteves
Data: 27 de fevereiro de 2026
Nas principais plataformas digitais de música.
Selo: Independente. Distribuição digital: PiÔ – Produção e Projetos
Instagram – @obanduo

PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES – Gratuitas
Concerto didático (ação formativa) – POÁ04/03 – Quarta, às 14h30
Projeto Guri (R. São Francisco, 168 – Biritiba)
Shows de lançamento:
AVARÉ: 12/03 – Quinta, às 20h
Auditório do IFSP Campus Avaré (Av. Prof. Celso Ferreira da Silva, 1333 – Jd. Europa II).
MORUNGABA: 04/04 – Sábado, às 20h
Teatro Municipal Fioravante Frare (Rua Pereira Cardoso, 377).
GUARULHOS: 18/04 – Sábado, às 19h30
Teatro Padre Bento (Rua Francisco Foot, 03 – Jd. Tranquilidade).

Loading

Compartilhe nosso artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *