O teatro kabuki como abrigo e pertencimento
Título original – 国宝
Direção – Sang-il Lee
Elenco – Ryô Yoshizawa, Ken Watanabe, Ryûsei Yokohama, Mitsuki Takahata, Shinobu Terajima, Nana Mori, Takahiro Miura, Ai Mikami
Roteiro – Satoko Okudera, Shûichi Yoshida
Fotografia – Sofian El Fani
Montagem – Tsuyoshi Imai
Designer de produção – Yôhei Taneda
Direção de arte – Haruka Kawai, Nao Shimoyama
Trilha Sonora – Marihiko Hara
Departamento de maquiagem – Naomi Hibino, Tadashi Nishimatsu,Kyôko Toyokawa
O teatro kabuki (arte tradicional japonesa que data do seculo XVII) exerce total relevância no desenvolvimento da trama dirigida por Sang-iL Lee baseado no livro homônimo de Shuichi Yoshida. É em torno dele, que conhecemos a jornada de Kikuo (Ryô Yoshizawa), um ator de 14 anos que presencia o assassinato de seu pai (envolvido com a yakuza) e que após uma tentaiva frustrada de vingança, é adotado por Hanjiro Hanai (Ken Watanabe),principal ator de kabuki do Japáo. Ao lado do filho de Hanai, ele encontra refugio e toda a disciplina e sacrifício para desenvolver todo seu talento.
O roteiro recorta 50 anos da vida de Kikuo (1964 até 2014) e quebra a expectativa ao fugir do clichê “filme de vingança” preferindo sem pressa, apresentar diversos dilemas de seu protagonista ao longo dos anos. E é aqui que o filme apresenta o seu principal “calcanhar de aquiles”. Ao mesmo tempo em que temos tempo de “absorver e deglutir” toda a narrativa ,alguns aspectos dramaticos são rapidamente apresentados e abandonados, para depois retornar sem causar grande impacto.
A grande força da obra, reside nas atuações de seu elenco – Ryô Yoshizawa expressa muito com olhares e movimentos – , mas principalmente pela sua direção de arte. Aqui, tudo é compensada por um verdadeiro “colírio para os olhos”. As premiações e indicações que o filme recebeu por maquiagem e penteado são justíssimas.
Muito além de “teatro filmado” a cãmera captura toda a áurea dos sentimentos ali envolvidos em cada enquadramento dos rostos e dos espaços, enrriquecendo ainda mais nossa experiência com o kabuki e com o próprio filme que entrelaça bem os dramas pessoais com as peças encenadas nos palcos.
“Kokuho – O Preço da Perfeição”, é um dos maiores sucessos de bilheteria no Japáo e consegue expressar muito bem a essência cultural do país.
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Parabéns pelo texto!!
Obrigado Nat