Alice Guy-Blaché
Falar sobre mulheres no audiovisual não é falar de novidade.
É falar de força e determinação!
Uma dessas mulheres é Alice Guy-Blaché, cineasta francesa reverenciada como a primeira diretora e roteirista de filmes de ficção da história do cinema. Visionária, Alice experimentou muito antes do seu tempo: sincronização de som, colorização manual, efeitos especiais, e novas formas de narrar imagens em movimento.
Ela foi também uma das primeiras a utilizar o cronofone de Gaumont, sistema pioneiro de cinema sonoro que sincronizava imagem e som por meio de um fonógrafo, exibindo as chamadas phonoscènes entre 1911 e 1917. Enquanto o cinema ainda aprendia a andar, Alice já ousava correr.
Nascida em 1º de julho de 1873, em Saint-Mandé, na França, Alice viveu entre o Chile, a Suíça e Paris. Estudou taquigrafia antes de se tornar secretária de Léon Gaumont, no Comptoir Général de Photographie, em 1895. Foi após assistir à primeira exibição do cinematógrafo dos irmãos Lumière que teve uma ideia revolucionária: usar o cinema para contar histórias de ficção.
Alice tinha apenas uma obsessão: criar. Seu filme A Fada do Repolho é considerado o primeiro filme de ficção da história. Ainda assim, por décadas, seu nome foi apagado dos registros oficiais do cinema.
Em seu livro La Fée-Cinéma (A Fada do Cinema), Alice escreve seu relato autobiográfico com urgência e lucidez. Sem romantizar, ela descreve as maravilhas da sétima arte, os acidentes, as improvisações, os experimentos e a beleza de um cinema que ajudou a trazer ao mundo. Embora suas memórias tenham sido concluídas em 1953, só foram publicadas em 1976, oito anos após sua morte, em 1968.
A mulher artista: corpo, voz e resistência
Esse recorte dialoga profundamente com o meu trabalho no teatro e na crítica.
A voz da mulher como narrativa, o corpo como linguagem e a artista que cria apesar das estruturas que tentam silenciar-nos.
O que mudou nos últimos anos? Tomamos coragem. Ocupamos espaços como diretoras, roteiristas, assistentes, produtoras, funções que durante muito tempo nos foram negadas.
O que ainda falta mudar? Muita coisa. Além do respeito que merecemos, é preciso força para não desistir. Força para atravessar obstáculos, sustentar sonhos e continuar acreditando no próprio potencial de criar e dirigir: no cinema, no teatro, no rádio.
Como dizia Alice: “Be Natural.”
Seja natural.
E eu acrescento: seja você!
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Alice Guy Blaché foi pioneira, uma grande mulher que deveria ser muito mais reconhecida. Vamos esperar que com o tempo as mulheres diretoras tenham mais visibilidade.
Parabéns pelo texto!
Muito obrigada Natasha.
Sim, vamos continuar este legado e inspirar as futuras gerações.