Direção: Zack Snyder
Elenco: Jackie Earle Haley, Patrick Wilson, Malin Åkerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Jeffrey Dean Morgan, Carla Gugino, Stephen McHattie, Matt Frewer, Laura Mennell, Rob LaBelle, Gary Houston, James M. Connor, Mary Ann Burger, John Shaw, Robert Wisden, Jerry Wasserman, Don Thompson, Frank Novak, Sean Allan
Um filme de super-heróis ou um denso thriller político-existencial?
O ano é 1985, num mundo fictício onde os Estados Unidos são governados pelo presidente Richard Nixon, a Guerra Fria está no auge e qualquer incidente pode desencadear um conflito direto com a URSS, e consequentemente, uma guerra nuclear. Paralelamente a esse cenário de tensão global, acontece o brutal assassinato de Edward Blake, o antigo super-herói conhecido como “Comediante”. Desde a proibição das atividades de mascarados pelo Ato Keene de 1977, Blake trabalhava anonimamente para o governo. Rorschach, outro ex-vigilante, não acredita em coincidência. Para ele, trata-se do início de uma conspiração que pretende eliminar, um a um, todos os membros do antigo grupo de super-heróis, hoje aposentados, conhecidos como os “Vigilantes”.
Baseado na revolucionária HQ homônima escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, o longa dirigido por Zack Snyder divide opiniões como poucas adaptações já dividiram. Particularmente, eu adoro o filme, e adoro exatamente pelos motivos que muitos criticam.
O roteiro é sensacional, inteligente e complexo. Possui muitos arcos narrativos e diversas subtramas paralelas, mas, mesmo assim, a narrativa consegue ser dinâmica, clara e coesa, mantendo a unidade da obra do início ao fim. Não é fácil equilibrar tanta informação, tantos flashbacks e tantos pontos de vista diferentes sem perder o espectador, mas Watchmen consegue isso com maestria.
O que mais impressiona é a forma como o filme retrata os super-heróis como seres profundamente falíveis. Alguns com caráter bastante duvidoso, para dizer o mínimo. Diferente da maioria esmagadora das obras do gênero, aqui vemos personagens com complexidades singulares, cada um único, marcado por suas qualidades e, principalmente, por seus defeitos inerentes às suas trajetórias. Egoísmo, vaidade, cinismo, covardia, violência gratuita, fúria incontrolável e total desprezo pelos sentimentos e vidas alheias. Tudo isso está presente em seres que, teoricamente, deveriam representar o arquétipo da perfeição moral. É exatamente essa desmitificação brutal que torna Watchmen tão especial.
A trama é envolvente do começo ao fim. Ela nos leva pra lá e pra cá, sem jamais revelar nosso destino, mantendo o enredo instigante e surpreendente, a não ser, é claro, para quem já leu a graphic novel. Cada reviravolta, cada revelação, cada escolha moral nebulosa nos faz questionar o que realmente estamos assistindo: um filme de super-heróis ou um denso thriller político-existencial?
A cinematografia é simplesmente espetacular. Enquadramentos precisos, movimentos de câmera ousados, paleta de cores cuidadosamente escolhida (aquele tom amarelado e frio que permeia quase todo o filme), efeitos especiais e visuais de ponta. Tudo é esteticamente deslumbrante e, o mais importante, agrega camadas àquilo que a narrativa quer passar.
A trilha sonora é outro acerto indiscutível. As músicas foram escolhidas a dedo e encaixam com precisão no que está acontecendo na tela, seja o uso icônico de “The Times They Are A-Changin’” ou as canções que pontuam os momentos mais violentos e melancólicos. É brilhante, visceral e inesquecível.
No fim das contas, Watchmen é um filme que trabalha drama, suspense, comédia ácida e ação com extrema competência, sem jamais perder o fôlego. E, acima de tudo, deixa uma pergunta extremamente relevante pairando no ar muito depois dos créditos finais:
— Será que os fins justificam os meios?

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Achei a crítica sensacional, Alexandre! Parabéns!