Direção: Alexandre Aja
Elenco: Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ross Anderson, Jose Palma, George Somner, Anson Boon, Ami Metcalf
Um dos melhores “filmes de criaturas” da última década
Com o alerta de furacão chegando a Flórida, Halley (Kaya Scodelario) tenta fazer contato com seu pai, mas não obtém sucesso, preocupada, desloca-se até a pequena cidade na qual ele reside e o encontra desacordado no porão da casa onde ela cresceu junto de sua família. Porém, o furacão deixa de ser o maior problema a ser enfrentado, quando eles se veem encurralados por enormes crocodilos ferozes.
O roteiro de Michael e Shawn Rasmussen é positivamente direto e econômico. Em menos de dez minutos, o filme entrega todo o background necessário; a relação tensa entre pai e filha, o passado familiar e o cenário de isolamento, e mergulha de cabeça na ação. Não há espaço para subtramas desnecessárias, romances forçados ou explicações excessivas sobre a origem dos répteis. É um “direto ao ponto” que funciona como um soco no estômago. E é exatamente aí que reside o grande acerto de “Predadores Assassinos”.
Alexandre Aja, diretor francês que já nos brindou com excelentes filmes de terror como “Alta Tensão” e o remake de “The Hills Have Eyes”, volta a mostrar por que é um dos grandes cineastas contemporâneos do suspense. Aqui ele constrói uma atmosfera de apreensão constante, transformando o porão inundado e os cômodos estreitos da casa em uma grande armadilha. A sensação de claustrofobia é tão intensa que o espectador praticamente sente a água subindo, a escuridão se fechando e a respiração dos crocodilos no escuro. A tensão vai se intensificando, num crescente continuo que explode no clímax final. Aja usa som, sombra e enquadramentos apertados com maestria, provando mais uma vez que terror de qualidade não precisa de grandes orçamentos ou monstros digitais hiper-realistas para aterrorizar.
É verdade, existe uma certa incoerência narrativa que incomoda um pouco. Em alguns momentos, os crocodilos são retratados como forças da natureza quase invencíveis, destruindo vítimas secundárias com uma ferocidade impressionante. Já quando enfrentam os protagonistas, parecem curiosamente mais vulneráveis, permitindo sequências de confronto que, embora empolgantes, quebram um pouco a lógica interna do filme. Essa ambiguidade poderia ter sido resolvida com maior consistência no roteiro, mas, felizmente, não chega a comprometer a experiência.
O que eleva o filme, produzido por Sam Raimi, é o núcleo emocional formado por Kaya Scodelario e Barry Pepper. Scodelario entrega uma Halley determinada, física e emocionalmente exausta, que carrega nas costas tanto o peso do passado quanto a sobrevivência do presente. Sua química com Pepper é impressionante. O pai ausente e a filha ressentida que, no limite do desespero, redescobrem o laço que os une. São esses momentos mais intimistas, intercalados com o caos, que dão peso real às cenas de ação.
Tecnicamente, o longa é competente. Os efeitos práticos (as próteses, as águas sujas, as mordidas) são brutais e convincentes; o CGI dos crocodilos, embora nem sempre perfeito, é usado com inteligência e quase nunca chama atenção para si. A fotografia de Maxime Alexandre aproveita ao máximo a paleta escura e úmida, enquanto a trilha sonora pontuada por silêncios inquietantes e jumpscares bem trabalhados amplifica a adrenalina e o medo.

“Predadores Assassinos” é um exemplar honesto e eficaz do terror de sobrevivência. Não pretende reinventar o gênero, nem faz promessas que não pode cumprir. Em vez disso, entrega exatamente o que promete: uma história simples, direta, claustrofóbica e repleta de tensão genuína, com sequências de pura apreensão e sustos bem justificados pela narrativa. Para quem gosta de terror direto e frontal, o longa é super indicado. Na minha opinião, um dos melhores “filmes de criaturas” da última década.
*Disponível na Netflix.
![]()

