O filme “Blow Out – Um Tiro na Noite”, de Brian De Palma, é uma aula de cinema. O diretor norte-americano buscou inspirou em clássicos como “Blow-Up – Depois Daquele Beijo”(1966), de Michelangelo Antonioni, e “Um Corpo que Cai” (1958), de Alfred Hitchcock.
De Palma é um membro do grupo de cineastas e atores importantes que surgiram na década de 70 nos Estados Unidos, grupo conhecido por “Nova Hollywood”. Esse grupo tem como membros diretores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, George Lucas, Peter Bogdanovich, Hal Ashby, Michael Cimino, Paul Shrader, William Friedkin etc. A Nova Hollywood levava em consideração a autoria do diretor em relação à obra cinematográfica que produzia. O movimento teve como fonte de inspiração a Nouvelle Vague francesa e o movimento da contracultura estadunidense.
De Palma também é conhecido por citar os filmes de Hitchcock em todos os seus trabalhos. Dizem que ele é um diretor maneirista. O maneirismo cinematográfico é uma tendência ligada ao pós-modernismo, que é hiperestilizada na representação de elementos do cinema clássico. Agora vamos ao enredo. Jack Terry (John Travolta) é um sonoplasta de filmes B de terror. Ele está em uma ponte tarde da noite, gravando sons, quando presencia um acidente de trânsito, no qual um veículo cai desgovernado em um rio próximo de onde Terry está. Ele mergulha no rio e salva heroicamente uma bela jovem (Nancy Allen) que se afogava.
Os dois são levados para um hospital. Lá, eles conversam e se conhecem. Terry chama a jovem para sair. Seu nome é Sally. Terry descobre que dentro do carro também estava o governador e possível próximo presidente dos EUA, chamado George McRyan. As circunstâncias da morte do governador precisaram ser acobertadas para evitar um escândalo, devido ao fato de ele ser casado e estar traindo a esposa com Sally.
Logo surgem em cena novos personagens como o detetive particular trambiqueiro Manny Karp (Dennis Franz), que agia junto com Sally para destruir reputações de homens casados em troca de dinheiro de extorsão.
Também logo surge Burke (John Lightgow), um psicopata que estava envolvido no falso acidente que vitimou o governador McRyan, e que agora quer amarrar as pontas soltas da trama em que está envolvido para evitar a prisão para ele e seus contratantes. Ele passa a assassinar todas as jovens que lembrem fisicamente Sally. Seu objetivo é assassinar Sally como queima de arquivo, pois ela sabe demais.
A trama do filme possui toda uma simbologia metalinguística e faz várias referências a “Um Corpo que Cai”, de Hitchcock. O final do filme lembra bastante o filme do mestre do suspense, pois Terry falha em salvar Sally do assassino Burke. No filme de Hitchcock, Scottie não consegue impedir que Madeleine se suicide no fim da narrativa.
A premissa básica do enredo do filme foi uma homenagem a “Blow-Up”, de Antonioni. Até no título, De Palma buscou inspiração na produção ítalo-inglesa. Outro elemento é a premissa, já citada. No filme do diretor italiano, um fotógrafo profissional está em um parque fotografando e, sem perceber, fotografa um assassinato. Daí, se desenrola uma trama de drama e suspense.
A metalinguagem, na trama de “Um Tiro na Noite”, se refere ao fato do filme falar de cinema, já que a ocupação profissional de Terry é de sonoplasta (som), e a de Sally é a de maquiadora (imagem). Os filmes são uma combinação de som e imagem. Os dois personagens representam um casamento perfeito dentro da narrativa, já que se tornam amantes, e o cinema é feito dos dois elementos.
De Palma, e seus colegas de movimento, são, antes de tudo, apaixonados pelo cinema. Todos os trabalhos do diretor norte-americano são grandes homenagens à sétima arte. E são um deslumbre do ponto de vista narrativo e técnico. De Palma é um conhecedor profundo da técnica cinematográfica. Ele conhece como poucos os truques necessários para se produzir determinados efeitos na plateia de suas produções cinematográficas.
“Um Tiro na Noite” foi o último filme que De Palma dirigiu com a participação de sua esposa, na época, Nancy Allen. Os dois desfizeram o casamento e a parceria em 1984. Eles fizeram juntos “Carrie – A Estranha” (1976), “Home Movies” (1979) e “Vestida Para Matar” (1980) .
Outros filmes de sucesso do diretor foram “A Fúria” (1978), “Scarface” (1983), “Dublê de Corpo” (1984), “Os Intocáveis” (1987), “Pecados de Guerra” (1989), “A Fogueira das Vaidades” (1990), “O Pagamento Final” (1993), “Missão Impossível” (1996), “Olhos de Serpente” (1998), “Missão: Marte” (2000), “Femme Fatale” (2002) e “Dália Negra” (2006).
“Um Tiro na Noite” possui 1h48 de duração. É um filme de drama e suspense. Está disponível na plataforma de streaming internacional MUBI.
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Parabéns pela crítica, Eduardo! Deu vontade de rever o filme.
Obrigado pelo comentário, Beatriz! Eu recomendo que você reveja, porque é um filmaço! Vale a pena!
Parabéns, Eduardo! Deus vontade de rever o filme!
Obrigado, Beatriz.
Parabéns pelo artigo
Obrigado pelo incentivo, Marcelo.
Parabéns pelo Artigo meu amigo.
Um Filmaço de um dos meus diretores favoritos Brian de Palma.
Obrigado, Samuca. É um grande diretor! Não duvido que futuramente ele se torne um dos meus diretores preferidos também.
Parabéns pela crítica, eu não lembro se assisti ou não, mas vou procurar.
Obrigado, Natasha. Esse filme está disponível na MUBI, caso você queira assistir.
Eu gosto muito de De Palma, há muito tempo não vejo um filme dele. ” Vestida para matar ” e ” Dublê de corpo ” são muito bons..Posso ter visto esse, mas não lembro..
Eu estou gostando cada vez mais desse diretor, à medida que assisto aos seus filmes. “Vestida para Matar” e “Dublê de Corpo” eu ainda estou devendo. Acho que o “Vestida” tem na MUBI.
Duble de corpo e Vestida para matar são um espetáculo..Não lembro desse, seu texto está ótimo.
Obrigado pelo elogio, Natasha. Vou procurá-los para assistir.
Parabéns pela análise do filme meu nobre, eu vi esse filme a muito tempo, no SBT se não me engano