Análise do filme: Mimi, O Metalúrgico
Para quem gosta de uma boa sátira política, Mimi, O Metalúrgico (1972) é um filme que agrada pela sequência de momentos hilariantes com a interpretação chapliniana do ator italiano Giancarlo Giannini e a graça impecável de Mariangela Melato.
A figura franzina, as expressões, o bigodinho – tudo remete ao personagem Carlitos, de Charlie Chaplin. Mas não se engane. Por trás dessa aparente fragilidade do personagem principal, há a direção segura da italiana Lina Wertmüller (1928-2021).
Mimi, O Metalúrgico é o seu quinto filme, e com ele, Wertmüller conquistou fama internacional. A diretora e roteirista nos conduz aqui por caminhos que chegam ao grotesco, com pitadas de uma verdadeira pornochanchada.
Afinal, estamos falando da década de 1970, quando este tipo de humor menos refinado era um must.
Assim, Mimi, o Metalúrgico pode ser considerado uma obra genial, ainda que datada, em alguns aspectos. Ou seja, a fita não envelheceu bem em função da caricatura e do exagero.
O filme narra as aventuras e desventuras do siciliano Carmelo Mardocheo, o Mimi, trabalhador braçal, e depois operário. Durante toda a película, ele oscila entre o Norte desenvolvido e o Sul mais retrógrado. Entre a corrupção da Máfia e o Partido Comunista. E entre a perspectiva de se tornar um homem mais moderno ou um machista ciumento no pior estilo.
Estes estereótipos constituem uma alegoria da realidade italiana nos anos 1970, e seus caminhos. Aí está a grandeza do roteiro de Lina Wertmüller
A filmagem utiliza muitos planos e contraplanos para enfatizar os aspectos escatológicos da trama, assim como os zooms nos momentos mais engraçados. Mais um acerto da diretora.
O elenco conta ainda com Turi Ferro, Agostina Belli, Luigi Diberti, Elena Fiori, Tuccio Musumeci, Ignazio Pappalardo e Amalia Finnochiaro.
Lina Wertmüller
A diretora italiana, conhecida pelos cabelos curtos e grandes óculos, era oriunda da nobreza suíça. Ela teve a política, a sociedade e a guerra dos sexos como temas em suas comédias.
Foi assistente do diretor Federico Fellini em Oito e Meio (1963). Neste mesmo ano, realizou seu primeiro filme Os Lagartos, uma sátira sobre a vida no Sul da Itália. Logo, fez amizade com o ator Giancarlo Giannini, que iria estrear várias obras de sua autoria.
Seu filme Pasqualino Sete Belezas (1975) recebeu indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator para Giancarlo Giannini, Melhor Roteiro Original e Melhor Diretor em 1977. Wertmüller foi a primeira mulher a ser indicada como Melhor Diretora pela Academia.
Pasqualino Sete Belezas é uma comédia dramática sobre um vigarista e mafioso que faz de tudo para sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial e no campo de concentração onde foi preso.
A diretora recebeu um Oscar Honorário pelo conjunto de sua obra em 2019. Neste mesmo ano, conquistou uma estrela na calçada da fama em Hollywood.
Alguns filmes de Lina Wertmüller:
Os Lagartos (1963)
Mimi, O Metalúrgico (1972)
Amor e Anarquia (1973)
Tudo Errado (1974)
Por Um Destino Insólito (1974)
Pasqualino Sete Belezas (1975) – Indicado a 4 Oscars
O Fim do Mundo em Nossa Cama de Sempre em Uma Noite de Chuva (1978)
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Parabéns pela análise, fiquei curiosa.
Parabéns pelo artigo, não conhecia o filme