
Direção Ali Abbasi, com Zar Amir-Ebrahimi, Forousan Jamshid, Alice Rahimi, Mehdi Bajestani, Mesbah Taleb, Arash Ashtiani entre outros Baseado em um caso verídico ocorrido no Irã entre 2001 e 2003, o filme deixou a Organização de cinema do país enfurecida após o prêmio de melhor desempenho feminino dado à protagonista no Festival de Cannes. O filme realmente provoca o status quo que reina no cinema do país, segundo o diretor Ali Abbasi. O mesmo, que também tem origem dinamarquesa, pediu licença para filmar em Mashad, santuário sagrado do Irã. O filme no entanto mostra cenas de sexo, prostituição, nudez e uso de drogas, além de retratar o criminoso como tal, e não como um herói. Nos anos citados aconteceram vários assassinatos de prostitutas, e o governo religioso acatou como atos de purificação da sociedade. Na obra um homem de origem humilde, um pedreiro e pai de família mata várias mulheres que, por falta de opção, muitas vezes dependentes de drogas se prostituem. Uma jornalista de nome Rahimi interpretada pela atriz e produtora franco- iraniana Zar Amir-Ebrahimi vai até a cidade Santa do Islamismo e descobre um novelo de pobreza, violência, fanatismo religioso e corrupção policial. A incoerência de pensar que Deus é vingativo e julga está presente em várias religiões, infelizmente no Islamismo em uma proporção maior.O tom de thriller misturado com drama, inclusive familiar, além de cenas de tribunal prende o espectador. Logo no início uma jovem nua e com marcas de agressão nos ombros põe a filha para dormir e sai para ganhar dinheiro da única forma que consegue: vendendo seu corpo. As drogas são uma muleta para aguentar o sexo com homens asquerosos e muitas vezes violentos. Fica uma pergunta: se não foi dado a essas mulheres condições mínimas de se manter, como culpá-las pela escolha?Toda a estrutura sobre a qual a sociedade iraniana é construída é posta em cheque, assim como o resultado, sempre ruim, da mistura entre religião e política. ” Holy Spider ” é uma grata surpresa, tanto como diversão para quem gosta de suspense policial, como para quem quer refletir.
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Parabéns pelo artigo, Natasha!