Scarpetta e o capeta
É bom parar a rima por aí, porque não se sabe onde vai parar a caneta. A série com Nicole Kidman é a mais sem pé nem cabeça por ela estrelada em todos os tempos.
Só o saco plástico que desaba intacto da estratosfera numa horta já mereceria o troféu absurdo do ano.
A ligação dos crimes com a nave espacial só cabe mesmo na cabeça de um selenita. E acaba que não tem mesmo qualquer nexo com o resto da história.
Os policiais que voltam simultaneamente à ativa, um no FBI, a outra na perícia estadual, casados e na mesma investigação, não convencem nem no Leblon da novela de Manoel Carlos.
E a irmã maluca que aparece do nada? Parece que na falta de enredo capricharam em peitos felinianos da Jamie Lee-Curtis e na lábia enxertada da protagonista.
Para satisfazer os necrófilos rechearam a série com abundantes imagens de mortas nuas. Parece que pelos pubianos são permitidos em filmes americanos, desde que sejam de cadáveres.
A estranheza começa pelo título. Existe alguém menos italiana que a loura e longilínea Kidman? Talvez Liv Ulman. A cena inicial de muito sangue é tão comovente quanto banho gelado.
Confusa a trama que vai e vem, na tentativa de estabelecer paralelo entre passado e presente. Seria uma investigação de um serial killer sem graça e improvável, que como personagem não passa de figurante.
As falsas pistas plantadas ao longo dos capítulos só faltam alertar o espectador com uma placa do tipo “eu sou uma falsa pista”.
Depois da temporada do Oscar, com bons filmes e péssimos discursos, Scarpetta fica na peta, como se dizia mentira e fraude antigamente.
Série da prime Video
Também no elenco Simon Baker, Bobby Cannavale, Jake Cannavale, Ariana DeBose, Rosy McEwen, Rosy McEwen, Amanda Righetti, Hunter Parrish, Graham Phillips.
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