Antonia Maria Silva, terapeuta sistêmica de casal de família, participa da Bienal do Livro em abril, levando ao público a reflexão central de sua obra Famílias Adictas: a adicção de substâncias psicoativas não pode ser compreendida como um fenômeno isolado do indivíduo, mas como uma dinâmica que atravessa e impacta todo o núcleo familiar. Com mais de três décadas de atuação em saúde mental, a autora propõe uma abordagem que integra experiência clínica, escuta humanizada e perspectiva sistêmica.
Antonia construiu sua trajetória profissional em instituições como o Centro de Atenção Psicossocial da UFBA, o Centro de Estudos de Álcool e outras Drogas e a Secretaria Municipal de Candeias. Ao longo desse percurso, aprofundou sua pesquisa sobre os vínculos familiares como elementos centrais no processo de tratamento da adicção, observando que, muitas vezes, o sofrimento não se restringe à pessoa em uso de substâncias, mas reverbera em mães, pais, companheiros e filhos.
Em Famílias Adictas, obra lançada em julho de 2025, a autora revisita décadas de prática clínica para defender que a compreensão sistêmica é fundamental para a reconstrução dos laços e para a efetividade do tratamento. A obra já rendeu entrevistas e participações em podcasts no Brasil, na França e no Reino Unido, ampliando o debate sobre a interdependência entre indivíduo e família no contexto da adicção.
“A adicção não é uma falha moral nem um desvio de caráter. É uma condição complexa, que envolve história, vínculos, contexto social e emocional. Quando a família é incluída no processo terapêutico, ampliamos as possibilidades de cuidado e reconstrução”, afirma Antonia.
Antonia Maria Silva também acredita no poder da escrita terapêutica como estratégia de tratamento, e foi a partir disso que seu primeiro livro, originalmente um diário de poesias da sua adolescência, se tornou o intitulado Sobre Ventos Passados, lançado em 2022.
Para ela, a escrita é também uma forma de organizar experiências, compartilhar conhecimento e ampliar o acesso à informação qualificada sobre temas que ainda carregam estigmas.
Sua presença na Bienal da Bahia reforça a importância de discutir saúde mental em espaços culturais, utilizando a literatura como ponte de diálogo entre as exigências impostas pela sociedade e os desafios enfrentados pelas famílias brasileiras ao tentar corresponder a essas exigências ou expectativas.
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Caroline Vilas Bôas
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