Análise do filme Festa de família (1998)

Critica de Filmes

Direção: Thomas Vitenberg Com Ulrich Thomsen, Thomas Bo Larsen, Paprika Steen, Trine Dyrholm, Bent Henningsen, Hellen Dolleris, Henning Morentzen, Gbatokai Dakinah, Therese Glahn, Birthe Neumann entre outros.

Esse foi o primeiro filme oficial do Manifesto Dogma 95 criado por Lars Von Trier e Thomas Vitenberg. – O movimento ou manifesto surgiu como uma resposta escandinava ao artificialismo técnico do cinema Hollywoodiano e possuía dez regras, também chamadas de ” voto de castidade “

.Entre elas estavam o uso da câmera na mão, luz natural apenas, proibição de música não diegética, proibição de filtros ou efeitos especiais, a temporalidade da narrativa deveria ser a mesma do filme ( foco no momento presente) assim como filmes de gênero também serem vetados. Além disso outras ousadias foram absorvidas, como os enquadramentos tortos, não geométricos e às vezes com rostos cortados.

Festa de família usa de todas as regras do manifesto para contar uma estória não tão natural, embora comum. O patriarca Helge reúne seus filhos e netos, além de seus pais, primos e amigos em uma mansão para comemorar seu sexagésimo aniversário.

E essa festa se torna uma crítica à burguesia, à vida de aparências,à manutenção do status quo, custe o que custar e ao fingimento que pode existir por trás de famílias ricas e felizes.

Logo no início, durante o almoço o filho mais velho Christian faz uma revelação chocante: ele e sua irmã gêmea, que cometera suicídio há pouco tempo sofreram abuso sexual do pai desde a mais tenra idade, com a conivência da mãe. Os outros dois irmãos ignoravam o fato, porém a dinâmica doentia da família de alguma forma respingou neles. O caçula Michael tem um comportamento que remete à bipolaridade: agride qualquer um fisicamente, principalmente à esposa. Helene, a outra filha é desajustada e paranoica.

E conforme a noite avança, a bizarrice vai saindo do armário, adultério, abortos escondidos, racismo e até nazismo se escondem naquele clã, o mesmo que internou o filho mais velho em um hospital psiquiátrico para esconder o horror que ele trouxe a público naquele dia.

Em uma das cenas mais estranhas, todos já bêbados, amigos e familiares, começam a cantar uma canção debochando do namorado negro de Helene, que por falar inglês não entende, partindo para uma quadrilha em torno da mesa.

Depois de uma carta deixada pela filha falecida ser lida todos acreditam em fim no que Christian contou.

Apesar das restrições impostas ao pai, fica claro que nada vai mudar, já que nada é levado muito a sério, desde que a vida continue…” Festen ” é uma experiência cinematográfica potente e as regras do Dogma 95 realmente se mostram importantes pelo menos aqui, para fazer o espectador mergulhar na estória, o elenco como um todo também está natural e perfeito.

O filme venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 1998.

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