Análise do filme Nunca fui santa (1956)

Critica de Filmes Rodeio

Direção: Joshua LoganCom Marilyn Monroe, Don Murray, Hope Lange, Eileen Heckert, Arthur O’ Connell,Betty Field e Robert Bray entre outros

Marilyn Monroe havia acabado de criar sua produtora e concluir seus estudos no Actor’s Studio quando resolveu adaptar para o cinema essa peça de William Inge, cujo título original em inglês é Bus Stop.

O enredo aborda a trajetória de uma cantora, Chérie, que sonha com o estrelato em Hollywood.

Em uma de suas melhores interpretações, a atriz vive um alter ego. Ainda que a peça, escrita no ano anterior, não seja inspirada nela, são surpreendentes as similaridades entre a protagonista e a estrela.

Essa comédia romântica com números musicais tem em Beau Regàrd, interpretado por Don Murray, o improvável par amoroso da cantora.

O rapaz, que nunca saiu do rancho onde morava com seu tutor, ao contrário dela, nunca teve uma namorada, enquanto Chérie começou cedo e teve vários.

Marilyn usou uma maquiagem clown para retratar a triste rotina de uma mulher pálida que troca o dia pela noite, enquanto canta em um nightclub tentando obter, sem conseguir, um reconhecimento da plateia. Aqui podemos ver o primeiro paralelo da personagem com sua intérprete — ambas queriam ser vistas para além de sex symbols, ter seu talento apreciado, em vão.

Uma das cenas mais interessantes e visualmente belas da obra, que foi filmada em CinemaScope, se dá quando o vaqueiro interrompe a espalhafatosa audiência para fazer com que todos ouçam Chérie cantar That Old Black Magic, canção de Frank Sinatra.A musa está deslumbrante, cantando muito bem, com um corpete azul que lhe dá um ar etéreo. Nessa hora, sem saber quem era exatamente, ela se encanta por ele. Ele, então, se deixa levar, acreditando ser ela o anjo que procurava para dividir a vida. Só que esse anjo, ao contar das suas várias aventuras amorosas, revira os olhos em um “looping”… outra ótima sacada.As cenas que se sucedem são hilárias, embora hoje dignas de polêmica: a moça sendo enlaçada feito gado no meio de um rodeio, cuja participação do coprotagonista é a principal razão de sua viagem, a tentativa de fuga e, finalmente, o rapto com a intenção de forçá-la a se casar.

É muito importante inserir a obra não só em sua época, mas na região onde se passa: o antiquado Centro-Oeste americano, para não gerar confusões sem sentido.A vida da intérprete se mistura novamente à da personagem na questão da conciliação entre vida profissional e casamento.A cantora desiste da carreira para se casar, algo que Marilyn fazia da mesma forma, ainda que temporariamente, sendo que não conseguia estar inteira em nenhum dos dois papéis, fruto da cisão de sua personalidade.Um filme doce, com um final que não fica forçado e que demonstra que as pessoas são muito mais do que aparentam.Uma demonstração de como Marilyn era uma boa atriz, que infelizmente não teve tempo para demonstrar plenamente.

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2 thoughts on “Análise do filme Nunca fui santa (1956)

  1. Parabéns pela análise, muitas informações sobre o filme e sobre vida da Marilyn Monroe, gostei do seu artigo e foi uma satisfação e uma honra ter feito um vídeo com vc sobre filme

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