A INFLUÊNCIA DA POESIA DE PABLO NERUDA NO CINEMA

Cinema Poema ou Poesia

Como amante da poesia, sempre busco pesquisar e estudar obras que inspiraram canções, filmes e novelas. Foi assim que me deparei com o lendário Pablo Neruda. A partir desse encontro, mergulhei em sua obra para compreender sua trajetória e descobrir quais filmes foram inspirados em seus escritos. Neste texto, compartilho um pouco de sua história e das produções cinematográficas que nasceram a partir de sua poesia.

Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, conhecido mundialmente como Pablo Neruda, foi um poeta, diplomata e político chileno cuja obra ultrapassou os limites da literatura, influenciando diversas formas de expressão artística, entre elas o cinema. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1971, Neruda permanece como um dos poetas mais lidos e encenados do século XX.

Nascido em 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile, Neruda construiu uma trajetória marcada pela intensidade emocional, pelo engajamento político e por uma profunda sensibilidade humana. Sua poesia dialoga com o amor, a natureza, a dor, a memória e a coletividade, influenciada por nomes como Federico García Lorca, Walt Whitman, Rabindranath Tagore, Jan Neruda e Alexandre Pushkin.

Para Neruda, a poesia não era um privilégio restrito, mas um bem coletivo. Como ele próprio afirmou:

“A poesia é como o pão. Deveria ser compartilhada por todos, por estudiosos e camponeses, por toda nossa vasta, incrível e extraordinária família de humanidade.”

(Poema extraído da obra Maremoto. / Aún. / La espada encendida. / Las piedras del cielo. 1 ed. Barcelona: Debolsillo, 2004, p.38)

Essa visão humanista se reflete em seus versos, que transformam o cotidiano em experiência sensorial e emocional. Em sua obra, o poeta revela uma escrita fluida, quase cinematográfica, capaz de criar imagens, atmosferas e ritmos que facilmente se convertem em narrativa visual.

Neruda descreve sua poesia como um rio em constante movimento, nascido nas profundezas do Chile e direcionado ao encontro com o povo e com a história. Essa concepção de arte viva e em fluxo contínuo explica, em parte, o interesse do cinema por sua vida e obra.

A trajetória do poeta inspirou produções cinematográficas importantes, como O Carteiro e o Poeta (1994), dirigido por Michael Radford, que apresenta Neruda como um homem acessível, cuja poesia transforma a vida de pessoas comuns. Já Neruda (2016), de Pablo Larraín, propõe uma abordagem mais simbólica e política, misturando realidade e ficção para construir um retrato poético do artista.

Mais do que biografias, esses filmes revelam como a poesia de Neruda ultrapassa o papel, tornando-se imagem, silêncio, gesto e emoção. Sua obra continua viva porque fala do que é essencialmente humano: o amor, a luta, a perda e a esperança.

Pablo Neruda faleceu em 23 de setembro de 1973, em Santiago, mas sua poesia segue ecoando nos livros, nos palcos e nas telas, como um convite permanente à sensibilidade e à reflexão.

Neruda escreve o amor como experiência viva, feita de presença, desejo e da necessidade de partilhar o tempo com quem se ama. Seus versos, aparentemente simples, recorrem a metáforas ligadas à natureza para traduzir aquilo que o corpo sente quando ama.

No poema “O Teu Riso”, o poeta revela essa intensidade ao transformar o sorriso amado em elemento tão necessário quanto o ar, o pão e a própria vida, é belíssimo. E já vejo imagens em cada frase.

O TEU RISO

Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.

(…)

ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.

(…)

mas quando abro os olhos e os fecho, quando os meus passos se forem,

quando os meus passos voltarem,

nega-me o pão, o ar,

a luz, a primavera,

mas o teu riso nunca

porque sem ele morreria.

Pablo Neruda

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