Análise “A Única Saída” (2025)

Critica de Filmes

O já célebre diretor sul-coreano Park Chan-Wook, felizmente, dá sinais de que, realmente, é capaz de se reinventar a cada novo filme, ao invés de (como fariam outros em seu lugar) tentar reproduzir seu clássico “Oldboy” (2003), a cada novo trabalho.

Após emular Wong Kar-Wai (“Amor À Flor da Pele”, 2000) em seu penúltimo filme “Decisão de Partir” (2022), em seu novo longa “A Única Saída”, Chan-Wook flerta com a comédia, mais especialmente, com o bom e velho “humor negro” (será que posso usar essa expressão, hoje em dia? Rs) e também com elementos de suspense.

Do ponto de vista técnico, “A Única Saída” é mais um filme impecável, sobretudo, em termos de direção, estilosa e caracterizada por uma decupagem ágil e cuidadosa.

Há também, uma deliciosa e divertida crítica social, expressa na figura do protagonista: homem de meia-idade que, após dedicar 26 anos de sua vida a uma empresa (multinacional) fabricante de papel, é sumariamente demitido é descartado, sem piedade; papel brilhantemente vivido pelo ator sul-coreano Lee Byung-Hun (“Eu Vi O Diabo”, 2010).

É interessante notar que, ainda que em segundo plano na trama, a típica violência estilizada, marca do diretor em questão, continua presente. Mas, agora, ela não apenas física, mas também e sobretudo, psicológica e social, simbolizando o produto de uma sociedade extremamente individualista e competitiva, fruto da absoluta mecanização do universo do trabalho e, consequente, criação de uma grande massa de gente desempregada, desesperada e, portanto, capaz de tudo por uma mera vaga de trabalho.

Obs: É possível fazer um paralelo, aliás, entre “A Única Saída” e o já clássico filme de Costa-Gavras “O Corte” (2005), também protagonizado por um ex- executivo desempregado e, agora, insanamente capaz de fazer qualquer coisa, por um novo posto de trabalho.

Merece também destaque, a participação da bela e talentosa atriz sul-coreana Son Ye-Jin (“A Negociação”, 2018), vivendo a corajosa e sempre “otimista” esposa do protagonista do filme em questão.

Em suma, ainda que Park Chan-Wook não deseje, de fato, fazer um discurso político e social em “A Única Saída”, visto que se trata, em primeiro plano, de um filme de entretenimento; a mensagem aqui expressa nas entrelinhas, é: Capitalismo mata e sem dó.

No elenco também tem Park Hee Soon, Yeom Hye-ran, Yoo Yeon-seok, Oh Dal-su, Cha Seung-won.

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