Data de lançamento: 6 de junho de 2025
Diretor: Tyler Perry
Elenco: Taraji P. Henson, Teyana Taylor, Rockmond Dunbar
Duração: 1h 48m
Produção: Tyler Perry, Angelique Bones
Produtora: Tyler Perry Studios
Dirigido por Tyler Perry, Até a Última Gota é um drama que se constrói através da exaustão. Exaustão emocional, social e moral.
Desde os primeiros minutos, o filme se apresenta como uma história extremamente comovente e cheia de nuances. A cena inicial, em que a câmera percorre os cômodos de uma casa em desordem, já traduz visualmente o caos daquela vida. Não sabemos, a princípio, quem mora ali: uma família, um casal ou alguém sozinho. Aos poucos, a narrativa revela tudo de forma convincente e orgânica.
Nós somos conduzidos por cenas angustiantes, nas quais é quase impossível não se identificar com a dor dessa mãe: a humilhação no trabalho, as contas acumuladas, a insuficiência do sustento, a doença da filha e o desespero crescente. Não se trata de romantizar o crime, mas de provocar uma pergunta que permeia todo o filme: do que uma mãe não seria capaz por um filho? Por que ela fez isso? em que momento esta mãe deixou de ter alternativas, sendo uma pessoa tão boa? Aonde foi que ela se perdeu?
Seria um momento de estresse excessivo? Ou um momento de loucura?
O desprezo em momentos de solidão, a dor silenciosa e, por fim, uma colisão no trânsito funcionam como o estopim final. É o copo que já está cheio, basta uma última gota para tudo transbordar. Nesse ponto, o filme propõe menos julgamento e mais reflexão.
O que mais me fascinou foi o desenvolvimento da narrativa. Quando acreditamos que a história seguirá um curso previsível, o filme quebra completamente essa expectativa. A direção e a edição são cirúrgicas. O ponto de virada é impactante e desconstrói tudo o que parecia estabelecido. Ao revelar que a filha já estava morta, o espectador literalmente perde o fôlego e passa a reconstruir mentalmente toda a trajetória desde o início.
Outro aspecto poderoso é a construção da empatia. Mesmo diante de um crime, de uma decisão equivocada, o filme convida ao não julgamento. A personagem da gerente do banco se destaca ao se colocar no lugar de Janiyah com firmeza e humanidade. Sua interpretação é visceral, oferecendo uma mão estendida sem negar que o crime terá consequências.
Até a Última Gota é uma construção brilhante, profundamente comovente e dolorosamente próxima de histórias que vemos diariamente nos noticiários. Ainda assim, o filme insiste em sugerir que, mesmo no limite extremo, pode existir uma saída.
No fim, resta a pergunta, não como provocação, mas como uma reflexão:
o que nos leva ao limite? E o que acontece quando ele é ultrapassado até a última gota?
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