Direção: Susana Garcia
Elenco: Mônica Martelli, Paulo Gustavo, Marcos Palmeira, Fiorella Mattheis, Ricardo Pereira, Marianna Santos, Dudu Pelizzari, Lucas Capri, Anitta, Guida Vianna, Gigante Léo
Uma comédia acolhedora que entretém sem revolucionar
“Minha Vida em Marte” é a sequência de “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou!” (2014), dirigida por Susana Garcia e estrelada novamente por Mônica Martelli como Fernanda, agora navegando pelos desafios de um casamento em crise aos 45 anos. Lançado em 2018, o filme continua a explorar temas femininos com bom humor, focando na amizade como base emocional. Embora mantenha o padrão da comédia romântica brasileira, o longa apresenta uma mistura de acertos e falhas que o deixam em um patamar mediano: divertido, com brilhos individuais que compensam as limitações técnicas.
O filme articula bem vários temas como envelhecimento, dificuldades de terminar relacionamentos e fechar ciclos, além de valorizar importância do amor puro da amizade verdadeira. Fernanda lida com o peso dos anos, questionando sua identidade em um casamento desgastado, lidando e aprendendo a encerrar capítulos dolorosos. Esses elementos são entrelaçados com sensibilidade, usando o humor para suavizar reflexões sobre maturidade e resiliência. A amizade com Aníbal (Paulo Gustavo) é a força motriz da narrativa, destacando como laços platônicos podem ser mais confiáveis que romances. No entanto, alguns desses temas são tratados de forma superficial, priorizando piadas rápidas em vez de profundidade emocional.
Paulo Gustavo tem muito mais tempo de tela em relação ao filme anterior e praticamente divide o protagonismo com Mônica Martelli. A química entre os dois é fantástica, com ótimas tiradas que elevam o humor, mesmo que algumas poucas piadas não funcionem tão bem. O sentimento de intimidade entre ambos é palpável, criando momentos autênticos de cumplicidade que roubam a cena. Paulo Gustavo, com seu carisma inigualável, transforma Aníbal em um contraponto perfeito para Fernanda, misturando afeto e comicidade de forma natural.
Infelizmente, o elenco de apoio compromete com atuações terríveis em vários momentos, com interpretações exageradas ou sem energia que destoam do tom geral e enfraquecem cenas. Enquanto os protagonistas carregam o filme, esses tropeços secundários destacam a desigualdade no casting.
A direção de Susana Garcia é discreta, com o texto tendo muito mais peso que a decupagem. O bom roteiro é adaptado da peça de Martelli, repleto de diálogos afiados e referências cotidianas, mas a mise-en-scène é básica, com edição funcional e pouca inovação visual. Isso faz o filme parecer mais uma obra televisiva que propriamente cinematográfica.
O ponto forte do longa é, sem dúvida, o entrosamento dos protagonistas, que sustenta o ritmo e torna as interações memoráveis. “Minha Vida em Marte” é um filme muito divertido, que serve como uma verdadeira ode à amizade e uma bela e sincera homenagem ao saudoso e talentoso Paulo Gustavo, cuja presença ilumina cada frame. O final surpreende positivamente, elevando a questão do empoderamento feminino com uma reviravolta que reforça a autonomia de Fernanda.
“Minha Vida em Marte” é uma comédia acolhedora que entretém sem revolucionar, ideal para fãs do original ou quem busca leveza com toques reflexivos. Seus problemas, como o elenco irregular e a direção modesta, impedem que atinja patamar mais alto, mas o carisma entre Mônica Martelli e Paulo Gustavo compensa, e recompensa.
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Parabéns pela análise meu nobre
Parabéns pela análise!
Parabéns pelo artigo