Com apoio do Programa VAI, evento ocupa o Centro de Formação Cultural com workshops, debates e baile para impulsionar a profissionalização da dança na zona leste
A dança urbana ganha protagonismo na zona leste de São Paulo no próximo dia 7 de março, com a edição inaugural do Festival 220 Dance, no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes. Com uma programação que reúne workshops, roda de conversa, performances e baile, o projeto aposta na formação técnica e na valorização da cultura periférica como ferramenta de transformação social.
A periferia pulsa e e dança. No sábado, 7 de março, o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes se transforma em palco de encontros, aprendizados e celebração com a chegada do Festival 220 Dance. A iniciativa marca o primeiro de três encontros previstos ao longo do ano e nasce com um propósito claro: fortalecer a cena da dança urbana periférica por meio da qualificação e da profissionalização artística.
Realizado com fomento do Programa VAI, da Prefeitura de São Paulo, e apoio do Instituto Caru, o festival é produzido pela Elã Produz e propõe mais do que uma sequência de apresentações. A ideia é consolidar o território como espaço de formação contínua, troca de experiências e construção de redes entre coletivos e artistas independentes da zona leste.
A programação formativa é um dos pilares do evento. Três workshops abertos ao público serão conduzidos por Israel Alves (@israelalvess), Flavia Lima (@_flaalima) e Juana Chi (@juana.chi), artistas que transitam por diferentes vertentes das danças urbanas. Com trajetórias que atravessam batalhas, palcos e projetos pedagógicos, os convidados compartilham técnicas, vivências e perspectivas sobre o mercado cultural, ampliando horizontes para jovens que desejam transformar o talento em carreira.

Mas o festival também abre espaço para reflexão. A roda de conversa “Movimento que vira carreira: Trajetórias e Profissionalização da Dança” coloca em pauta os desafios enfrentados por artistas periféricos e as estratégias possíveis para acessar oportunidades. Participam do debate Natasha Souza, do coletivo Turmalinas Negras, e Bia Graboschi, do Twerk na Quebrada, que discutem caminhos para consolidar projetos autorais, captar recursos e ocupar espaços historicamente negados à cultura das quebradas.
A música surge como elo entre corpos e narrativas. A cantora Buh sobe ao palco levando o trap como trilha sonora da experiência urbana contemporânea, conectando identidade, território e expressão artística. A proposta reforça a intersecção entre dança e som como elementos indissociáveis da cultura periférica.
O encerramento promete transformar o centro cultural em pista de celebração coletiva com o “220 Convida: Baile do Neoera”. Sob o comando de Iamlope$$, a discotecagem reafirma o caráter festivo e comunitário do projeto, onde dançar também é ato político e afirmação de pertencimento.
Ao ocupar o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes com uma programação diversa e gratuita, o Festival 220 Dance reafirma a potência criativa da zona leste e a dança como instrumento de formação, geração de renda e transformação social. Em um território muitas vezes marcado por ausências históricas de políticas públicas, o movimento que começa nos pés aponta para futuros possíveis e profissionais dentro da cultura urbana.

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