A maternidade é uma coisa natural e inerente à mulher? Essa é uma questão que tem sido abordada ao longo dos tempos, especialmente em obras cinematográficas. É sim inerente no sentido de que apenas as mulheres engravidam e dão à luz, mas essa experiência muda a vida das mesmas para sempre e o ” maternar ” é diferente para cada uma.
A imensa maioria da mulheres passa por um período de depressão pós parto, tanto pelas mudanças hormonais como pelo reconhecimento do irreversível, pois dali para a frente serão responsáveis por criar uma pessoa por quase duas décadas.
Na obra de Johanna Moder o espectador é confrontado com a dúvida: os eventos que acontecem com a protagonista Julia ( interpretada por Marie Leunberger) são frutos de uma paranóia ou são reais?Nesse ponto temos muito em comum com ” O bebê de Rosemary ” e com o recente ” Imaculada “.
A gestação de um filho se torna palco de complôs aonde a mulher é alienada de seu poder de decisão , o fruto pode ser monstruoso e ela deve amá-lo. Marie Leunbergen fala pouco, sua interpretação se baseia em um olhar potente. Julia é uma maestrina de sucesso, apaixonada pela carreira e pelo marido. Ambos decidem ter um filho através de uma clínica de fertilização artificial , tudo vai bem até o parto, cena realista e angustiante por sinal. O difícil procedimento leva a equipe médica a retirar o bebê da sala sem que os pais o vejam.
No dia seguinte o mesmo é trazido para o casal, porém cada um reage de um jeito, o pai Georg ( Hans Löw) logo se envolve com o filho, a mãe o estranha. Acha que não é seu e esse fato é apenas um reflexo de que não o deseja ou o ama. Assim como em ” O bebê de Rosemary “, obra prima de Roman Polansky existe uma paranóia ou uma real conspiração de várias pessoas, incluindo aí o pai aonde o sobrenatural pode ou não estar envolvido.
A fotografia que alterna entre cenas claras e escuras reflete as mudanças de humor da protagonista, que aliás pode até estar correta quanto às suas desconfianças…Como todo filme de horror psicológico a interpretação do final, no caso a verdade sobre a identidade do filho, pode ser literal ou apenas uma alegoria para a libertação que a personagem queria de uma obrigação que não gostou .
Título original: Mother’s baby Direção : Johanna Moder Países de origem: Alemanha, Áustria e Suíça Elenco : Marie Leunberger, Judith Altenberger, Claes Bang, Julia Koch, Hans Löw, Julia Franz Richter, Nina Fog, Caroline Frank entre outros
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Parabéns pela análise do filme
Obrigada.
Parabéns pelo artigo! Conseguiu me deixar intrigada com o filme!
Obrigada.