Análise do filme “A Casa dos Espíritos” (1993)

Critica de Filmes

Direção: Bille Auguste Com Meryl Streep, Jeremy Irons, Winona Rider, Antonio Banderas, Glenn Close, Vanessa Redgrave, Armin Mueller- Stahl, Maria Conchita Alonso, Vicent Gallo entre outros.

Baseado no romance homônimo de Isabel Allende, um dos pilares do realismo mágico, essa obra nas mãos do diretor dinamarquês acabou virando um novelão com elenco estelar. Isso não quer dizer que a adaptação foi ruim, ou que o filme não tem seus atrativos, apenas houve um forte Interesse comercial. O roteiro mudou muito pouca coisa da obra literária, uma delas foi a fusão da personagem Blanca e Alba em uma só, vivida por Winona Rider.

Essa análise vai se ater ao filme somente, mas é impossível não relacionar o mesmo com o realismo mágico, gênero que tentou traduzir a América Latina e seu caldeirão de cultura, religião, política e etnias.

A saga das famílias Trueba e Del Valle começa com o futuro patriarca Esteban, interpretado muito bem por Irons, iniciando com o mesmo aos vinte anos até chegar aos quase noventa. Da parte Del Valle temos o núcleo formado pelo casal Nívea e Severo com suas filhas Rosa e Clara.

E a estória das famílias que se unem através do casamento de Esteban com Clara se funde com a História do Chile em uma saga que atravessa quatro gerações. Meryl Streep vive Clara, uma personagem que tem mediunidade ostensiva e é uma mulher bondosa e querida por todos. Ainda criança a mesma se apaixona pelo noivo da irmã, e entre tantas visões prevê a morte da mesma, o que a faz se sentir culpada e parar de falar por vinte anos.

Sua opção pela mudez se repetirá futuramente, dessa vez voltada apenas ao marido após um ato de brutalidade. Todo o elenco tem uma interpretação voltada a fazer o público se emocionar, é o objetivo do diretor, e tudo bem. Ferula, irmã de Esteban foi mais um grande trabalho de Close, e é interessante a abordagem que ela dá a uma mulher que se descobre homoafetiva tardiamente..Talvez por falta de escolha, se apaixona pela cunhada.

Na época do início do filme, também por questões financeiras, era hábito a filha mulher deixar de casar para cuidar da mãe doente, o que gerou seu isolamento social quando essa morre.

Talvez o melhor desempenho do filme seja o da atriz: seu ódio velado e ciúmes do irmão vazam como podem, através de olhares secos, silêncios e tentativas de afastar ele de sua esposa. Ferula veste preto, sempre de luto, não pela mãe, mas sim pela própria vida perdida. Seu trabalho é o mais difícil já que seu personagem é o mais cheio de nuances. O figurino de Clara em oposição é colorido, florido e alegre.

Irons nos entrega um Esteban furioso, machista, violento e abusador. Um fruto de sua época, um homem que só consegue despertar amor em sua esposa que só consegue despertar amor em sua esposa, destruindo quem estiver em seu caminho, inclusive a si mesmo. – A questão política: se no começo da obra o casal Del Valle é liberal de esquerda ( o que indiretamente causa a morte de sua filha Rosa) as gerações vão se alternando entre esta ideologia e o conservadorismo, que em Esteban chega a ser reacionário, como em muitos pobres que ascendem socialmemte.

O ponto de virada vai se dar através do romance de sua filha Blanca com o revolucionário e filho de seu mais leal empregado Pedro Segundo.A prisão, tortura e quase morte da filha depois que a ditadura militar de Pinochet assume vai levar o já ancião a repensar sua vida de erros e violência.

As cenas em que Clara não controla sua paranormalidade em alguns momentos se tornam engraçadas, em outras vão para o melodrama mesmo, independente da crença, são postas ali para gerar lágrimas.

É um belo filme, pode agradar variados públicos.

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