Uma família de férias, uma casa próxima a um lago e a promessa de um período de tranquilidade. Os primeiros minutos de “Violência Gratuita” vão preparando o terreno para uma desconstrução ácida e sádica dos filmes violentos que o público é acostumado a consumir feitos no padrão hollywoodiano.
O cineasta Michael Haneke sabe muito bem como trabalhar a atmosfera de tensão constante quando essa família é abordada por dois jovens desequilibrados que propõem um jogo macabro entre eles, literalmente de vida ou morte por motivos desconhecidos. Em entrevistas, Haneke afirma que sua intenção era criar um filme provocador e que desafiasse o espectador a repensar sobre o cinema que absorve em seu dia a dia. Levando em consideração todo o barulho e impacto que “Violência Gratuita” causou no público e crítica, certamente ele conseguiu seu objetivo com maestria.
Haneke convida seu público explicitamente para tornar-se cúmplice das ações cometidas pelos dois jovens, a quebra da quarta parede é o elemento chave para essa cumplicidade, quando um dos personagens se dirige diretamente a nós, nos questionando e até mesmo nos pregando peças, fazendo acreditarmos que o caminho será previsível, quando na verdade passa muito longe do lugar comum.
Além disso, Haneke brinca sarcasticamente com a metalinguagem em certo ponto quando escancara de vez que os personagens estão dentro de um filme numa crítica direta a manipulação midiática e nos perguntando o quão dispostos estamos a encarar a violência excessiva que é entregue nos filmes, o quanto ficou banalizada.
No elenco também tem Arno Frisch, Ulrich Mühe, Susanne Lothar, Stefan Clapczynski, Frank Giering, Doris Kunstmann, Susanne Meneghel, Christoph Bantzer, Wolfgang Glück.
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