Análise “Vampiros de Almas” (1956)

Critica de Filmes Terror

O filme “Vampiros de Almas”, de 1956, dirigido por Don Siegel, é um dos filmes de ficção científica/terror mais referenciados até hoje. O filme trata basicamente de uma invasão alienígena a uma bucólica cidadezinha americana fictícia chamada Santa Mira.

O protagonista, o Dr. Miles Bennell (Kevin McCarthy), volta a Santa Mira para começar a trabalhar em seu consultório, quando algo inusitado acontece: diversos pacientes se queixam que seus parentes não são mais os mesmos, que estão se comportando de forma estranha. O médico suspeita de uma histeria coletiva.

O Dr. Bennell possui uma ex-namorada na cidade, com quem ele quer reatar a relação, é o seu interesse amoroso Becky Driscoll (Dana Wynter).

Ele e Becky se reaproximam, ao mesmo tempo em que a paranoia toma conta ao seu redor. Parece que o mundo ao seu redor está desabando.

Todos os cidadãos de Santa Mira estão se transformando em seres sem emoções. Logo Becky e o Dr. Bennell passam a ser perseguidos por toda a cidade. Uma descoberta importante feita pelo médico é que os invasores são alienígenas que nascem de grandes vagens, ou “pods”, e que assumem a forma das pessoas, enquanto a pessoa é morta enquanto dorme, para que o alien assuma sua vida.

O filme possui dois finais, um mais pessimista, e de acordo com a visão do escritor do livro que inspirou o filme, o autor Jack Finney, e outro, que acabou permanecendo como o oficial, que é mais otimista.

Outro detalhe interessante é que o diretor Sam Peckinpah participou do filme como roteirista não creditado e como ator, fazendo uma ponta no filme.

Outra questão sobre o enredo, são suas várias interpretações simbólicas. A mais comentada é que o enredo seria uma crítica ao comunismo, pois o filme foi feito no período do Macarthismo.

O Macarthismo foi uma perseguição, no início dos anos 50, aos comunistas infiltrados na sociedade americana. A “caça às bruxas” era liderada pelo senador republicano Joseph McCarthy. O Macarthismo resultou no fim de carreiras promissoras, reputações manchadas e vidas destruídas devido à paranoia causada pela Guerra Fria.

Segundo dizem, os personagens substituídos pelos aliens representariam o avanço comunista na sociedade americana, que deturpam os valores da tradicional família americana. As pessoas copiadas se tornavam abertas às ideias comunitárias, à extinção do ego e desprovidas de emoções individuais.

Outra interpretação seria que os aliens eram uma alegoria para os imigrantes que queriam se integrar à sociedade americana e deturpá-la com seus valores corrompidos.

Segundo Finney, o autor do livro, não existe nenhuma metáfora presente em seu enredo e sim apenas um escapismo saboroso e uma boa história de ficção científica para divertir seus leitores.

O filme foi refilmado diversas vezes, uma em 1978, com o título de “Invasores de Corpos”, pelo diretor Philip Kaufman; outra vez em 1993, com o título de “Os Invasores de Corpos – A Invasão Continua”, dirigido por Abel Ferrara; e uma terceira vez em 2007, com o título de “Invasores”, dirigida por Oliver Hirschbiegel.

Don Siegel foi o mentor que ensinou Clint Eastwood sobre como dirigir filmes. Eastwood aprendeu tudo o que aplica até hoje com ele e com Sergio Leone.

Siegel também dirigiu “Estrela de Fogo” (1960), “Os Assassinos” (1964), “Meu Nome é Coogan” (1968), “Os Impiedosos” (1968), “Os Abutres Têm Fome” (1970), “O Estranho Que Nós Amamos” (1971), “O Perseguidor Implacável” (1971), “O Homem Que Burlou a Máfia” (1973), “O Último Pistoleiro” (1976), “Alcatraz: Fuga Impossível/Fuga de Alcatraz” (1979) entre outros.

Loading

Compartilhe nosso artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *