O momento em que o mundo vive é muito significativo para exibir a distância que existe entre desenvolvimento tecnológico e bem-estar da humanidade.
Em vez de Inteligência Artificial para melhorar as condições de vida das populações presenciamos a Desinteligência Descomunal de cruel destruição de vidas.
A insensibilidade para a existência do outro, aquele classificado como outro ou diferente, atinge níveis que pareciam impensáveis depois dos horrores da Segunda Guerra e do Vietnã.
O lançamento de foguetes com seres humanos em direção à Lua parece sublinhar a alienação em relação aos problemas terrenos. Revela que as cabeças bilionárias não parecem ter espaço para questões banais como a miséria alheia.
Lado a lado, imagem após imagem, assistimos no palco digital o céu e o inferno que o intelecto humano é capaz, os aperfeiçoamentos científicos e os requintes da barbárie.
Nada mais contraditório do que o mesmo país que reúne as mais avançadas e poderosas empresas de manipulação de informações ser dirigido por um dos governantes mais obtusos de sua história.
Talvez não. Talvez impróprio seja denominarmos Inteligência Artificial um sistema de acumulação de dados incapaz de medir o sofrimento humano que pode causar. Ou ainda incapaz de mexer com os intelectos concentrados no próspero e desértico Vale do Silício.
Podemos chamar de desinteligência, essa descomunal insensibilidade em relação a sequência de horrores em cartaz ultimamente, ao lado das arrogantes exibições da grandeza tecnológica.
Em cartaz, a desinteligência brutal.
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