análise do filme “Eu Me Importo” (2020)

Critica de Filmes

Uma comédia satírica que vira thriller

Eu Me Importo” (I Care a Lot, 2020), dirigido e roteirizado por J Blakeson (de A 5ª Onda), é uma comédia satírica que vira thriller, com Rosamund Pike como Marla Grayson, vigarista que explora idosos via tutelas judiciais fraudulentas. Elenco destaca Peter Dinklage (Roman Lunyov, mafioso russo), Dianne Wiest (Jennifer Peterson), Eiza González (Fran, parceira de Marla), Chris Messina (Dean Kenner) e Macon Blair (Dr. Karen Amos). Lançado na Netflix com 118 minutos pela Black Bear Pictures, ataca o sonho americano expondo as contradições legais da sociedade dos EUA.

Eu Me Importo” é uma comédia-thriller que equilibra perfeitamente o humor ácido com a tensão narrativa, criando uma experiência cinematográfica imersiva e perturbadora. O filme segue Marla Grayson, uma tutora legal que explora idosos ricos através de fraudes sistemáticas, até encontrar em Jennifer Peterson uma vítima que guarda segredos perigosos, e um filho mafioso disposto a usar força e violência para protegê-la.

J Blakeson escreve e dirige com competência, transformando um conceito potencialmente sombrio em entretenimento de excelente qualidade. A direção alterna planos, enquadramentos e movimentos de câmera com precisão, enquanto a edição, de Sasha Levine, imprime dinamismo constante ao longa. Blakeson resiste à tentação de desenvolver excessivamente a psique de sua protagonista, mantendo o foco no entretenimento sem abrir mão a crítica social à sociedade capitalista e meritocrática.

fotografia, de Linus Sandgren (Oscar por La La Land), é perfeita, extremamente colorida e vibrante, atribui uma aura cartunesca à obra que justifica as conveniências narrativas e personagens levemente caricatos. Essa escolha estética é fundamental para a proposta do filme, que não busca realismo total, mas sim criar um universo visualmente único, onde a moralidade é questionável e a lei, paradoxalmente, ampara atos absurdamente imorais e antiéticos.

Rosamund Pike entrega uma performance espetacular como Marla Grayson, venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Filme de Comédia ou Musical por sua atuação, reconhecimento bem merecido para uma interpretação que se torna o grande alicerce do filme. A atriz inglesa, especialista em personagens que projetam fachadas sofisticadas, aqui se lança ao papel da ultra-ambiciosa e completamente inescrupulosa Marla, usando até o penteado como arma de intimidação. Peter Dinklage como Roman, o gângster russo, produz descargas constantes de humor e fantasia que transformam o tom do filme. Dianne Wiest oferece uma performance excelente, como sempre, diga-se de passagem, como Jennifer Peterson, enquanto Eiza González completa o elenco de ótima qualidade como Fran, sócia e amante de Marla.

Eu me Importo', Rosamund Pike surpreende o público mais uma vez

“Eu Me Importo” é ao mesmo tempo extremamente envolvente e divertido, conseguindo simultaneamente chocar ao expor como a lei pode amparar condutas profundamente imorais quando explorada por profissionais sem escrúpulos, e também serve como uma experiência agradável, e, em alguns momentos até hilariante. É uma sátira criminal com crítica social profunda, que prova ser mais que um passatempo, trazendo honestidade em sua proposta e imensa vontade de entreter.

O que achou desse Review de “Eu Me Importo”? e da Rosamund Pike vilã? Comente a vontade!
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4 thoughts on “análise do filme “Eu Me Importo” (2020)

  1. Vi o filme anos atrás e ele realmente me impressionou pela atuação da protagonista. Excelente análise! Fiquei com vontade de ver de novo!

  2. Eu assisti quando foi lançado, sou fã do Peter desde Game of Thrones, e Rosamund é uma vilã por excelência, a ” Garota exemplar ” Parabéns pela análise!

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