O aclamado cineasta iraniano Jafar Panahi voltou ao Irã na última terça-feira (1o. de abril) para cumprir pena de um ano de prisão, após a temporada de premiações. Ao voltar, ele reforça seu compromisso de sempre trabalhar no país, mesmo sob repressão.
Não é a primeira vez que Panahi é encarcerado. O vencedor da Palma de Ouro em Cannes por Foi Apenas Um Acidente (2025) já havia sido preso e condenado a seis anos em 2010. Nesta ocasião, ele foi proibido de filmar por vinte anos. Em 2022, Panahi foi preso novamente por apoiar as manifestações contra o regime iraniano, mas liberado após greve de fome.
Aos 65 anos, com uma obra influenciada pelo neorrealismo italiano, e uso de atores não profissionais nos elencos, Panahi construiu uma carreira premiada, mas realizada majoritariamente na clandestinidade devido à perseguição do governo.
Foi Apenas Um Acidente, por exemplo, foi filmado de forma escondida para evitar as proibições impostas pelo regime do Irã. Os atores não tinham um roteiro físico e tinham que memorizar cenas e falas. Além disso, as mulheres que aparecem no filme não usam o hijab, véu que é obrigatório naquele país desde a Revolução Islâmica de 1979. Uma forma de contestação.
Seu primeiro trabalho, o delicioso O Balão Branco (1995), teve roteiro de Abbas Kiorastami e ganhou o Câmera de Ouro em Cannes. Com O Círculo (2010), Jafar Panahi recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em 2015, foi a vez de Taxi Teerã, que recebeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim (Berlinale). Três faces (2018), por sua vez, foi consagrado como melhor roteiro em Cannes.
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Triste a perseguição à cultura e a falta de liberdade no Irã
Triste mesmo! Obrigada pelo comentário, Raquel.
Triste esse fato, mas ele é fiel a si mesmo.
” Foi apenas um acidente ” é muito bom! Parabéns pela matéria.
Obrigada, Natasha!
Já vi diversos filmes do Jafar Panahi e em nenhum deles me senti entediado.
Sua obra é riquíssima e mostra um país fechado como o Irã, sua cultura, sua religião e seu povo de uma forma sublime e delicada.
Uma pena um talento desse tamanho ter que cumprir pena por ser contra o sistema vigente em seu país.
Que não conhece sua obra indico e recomendo conhecer.
Verdade, Marcos! Excelente comentrário!
Essa é uma situação muito triste! Como esse governo teocrático não permite que seu povo se expresse de nenhuma forma, tenho muito receio sobre a integridade física desse aclamado cineasta, ainda mais na situação atual em que o Irã se encontra. Acho que ele seria muito mais útil à sua população produzindo mais filmes, que mostrem ao mundo a barbaridade desse regime, do que colocando a sua vida em risco!
Verdade, querido Jean