Maria José de Macedo, mais conhecida por seu nome artístico Zezé Macedo, ou ainda como a Dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo, foi uma poetisa, atriz e comediante bastante atuante no rádio, na televisão e, principalmente, no cinema brasileiro. Ela nasceu em Silva Jardim, Estado do Rio de Janeiro, no dia 6 de maio de 1916. Ou seja, há 110 anos.
A atriz foi recordista feminina de atuação no cinema, com 108 filmes no currículo. E chegava a trabalhar em três produções por ano. Zezé Macedo foi a principal comediante dos Estúdios da Atlântida Cinematográfica nas décadas de 1950 e 1960 e, por isso, foi considerada “A Primeira Dama do Cinema Brasileiro” e a “Rainha das Chanchadas”, ou ainda a “Greta Garbo das Chanchadas”. Recebeu também o apelido de “Charles Chaplin de Saias”, de Grande Otelo. Mesmo assim, ela é mais lembrada do grande público pelo bordão da personagem Dona Bela: “Ele só pensa naquilo…”. Ou antes ainda, como Biscoito, esposa de Tavares, personagens do Chico Anysio Show.
Por ser magra e baixa, Zezé Macedo sempre foi escalada para atuar em comédias. Sua persona cinematográfica era baseada na autodepreciação e na encenação de personagens caricatos. Suas características eram o humor físico e histriônico usando expressões faciais, o olhar que revirava para mostrar o ridículo das situações e uma voz aguda e estridente.
Fez muitos papéis de empregada doméstica, mas na chanchada “De Vento em Popa” (1957), de Carlos Manga, afastou-se deste estereótipo, representando uma cantora de ópera. Neste filme, ela contracenou diretamente com Oscarito. Seu maior desejo era interpretar personagens dramáticas.
Zezé Macedo foi uma das artistas mais queridas do país e é merecedora de todo o reconhecimento. Ela faleceu em 8 de outubro de 1999, aos 83 anos, no Rio de Janeiro.
Segue lista de filmes de maior relevância da carreira de Zezé Macedo:
- O Petróleo é Nosso (1954), de Watson Macedo, marcou a estréia da atriz no cinema.
- O Homem do Sputinik (1959), de Carlos Manga. Uma das comédia de maior sucesso do cinema brasileiro.
- Esse Milhão é Meu (1959), direção de Carlos Manga, filme satírico.
- Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, baseado na obra de Mário de Andrade.
- Robin Hood, O Trapalhão da Floresta (1974), de J. B. Tanko. Sucesso de bilheteria.
- O Rei do Rio (1985), dirigido por Fábio Barreto, drama baseado na obra de Dias Gomes.
- As Sete Vampiras (1986), de Ivan Cardoso, comédia em que Zezé interpretou a icônica governante Rina. Por esse papel, Zezé ganhou um prêmio especial do júri no Festival de Gramado.
- O Casamento dos Trapalhões (1988), de José Alvarenga Júnior. Um dos últimos sucessos da trupe.
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Eu lembro mais dessa atriz por causa da Escolinha do Professor Raimundo. Assisti o filme Macunaíma há alguns anos e não lembrava que ela havia participado do filme. O seu texto serve como resgate, Beatriz, da longa e relevante carreira dessa atriz que teve importância para o cinema nacional e que nem todos conheciam sua história. Parabéns pelo artigo!
Obrigada, Eduardo! Ela foi muito importante mesmo. Num país sem memória é bom lembrar dos que participaram da cena cultural.
Parabéns pela matéria, lembro dela na ” Escolinha do professora Raimundo “. Eu assisti ” Macunaíma “, mas não lembro dela.
Obrigada, Natasha.
Muito legal trazer a memória dela! Que bom não ser esquecida . Excelente atriz. Obrigada Bia!