Direção Alejandro González InãrrituCom Gael García Bernal, Emilio Echevarra, Vanessa Bauche, Álvaro Guerrero, Gérardo Campbell, Goya Toledo entre outros
O primeiro filme de uma trilogia do diretor mexicano cujo ponto em comum é misturar três narrativas partindo de um incidente inesperado lançou ao estrelato Gael García Bernal, foi responsável pela nova onda do cinema mexicano na primeira década do século XXI e é considerado pelo New York Times um dos cem melhores filmes do mundo.
O filme é dedicado ao filho morto do cineasta Luciano, com a seguinte frase ” porque também somos o que perdemos” .E é sobre perdas e possíveis ganhos, resultados das escolhas dos personagens que o enredo trata. Não é preciso ser espiritualizado ou seguir uma religião para saber que cada ato nosso vai gerar um resultado, e como convivemos em sociedade o mesmo pode atingir várias pessoas.
A obra começa com um violento acidente de carro em uma Cidade do México barulhenta, confusa, aonde o lixo e o luxo convivem lado a lado, como na maioria das metrópoles sul americanas.Entram então as três subtramas interligadas pelo acaso. Octavio é um rapaz apaixonado pela cunhada, uma adolescente que já casada com um filho pequeno se descobre grávida de novo. Valéria é uma top model que acabou de começar uma nova vida com um empresário que abandonou a família para ficar com ela. El Chivo é um mendigo, que vive de catar lixo e às vezes atua como matador de aluguel, mas debaixo dessa fachada existe um passado muito diferente. Os cortes rápidos e a montagem, a trilha sonora com rock e rap são perfeitas para retratar a atmosfera caótica da estória.
O título em espanhol ” Amores perros “, ou amores cães mostra uma faceta: todos os protagonistas das subtramas têm cachorros, com os quais possuem uma relação de amor e ódio.Octavio sobrevive de lucrar com as lutas de seu cão, as mesmas chocantes, muitas vezes resultando na morte do outro bicho. A modelo também tem um, que trata como filho, e Chivo tem vários, os quais leva no seu caminhão de catar lixo para onde vai. Fica claro o objetivo do diretor de retratar o comportamento animal dos personagens, não no mau sentido, porém mostrando a dualidade dos mesmos, bons e maus, agindo por instintos, sejam sexuais ou de sobrevivência. Como diz em uma cena El Chivo ” os cães e seus donos são muito parecidos”.
Gael está bem no seu desempenho, dando vida a um jovem que se vê preso em uma família disfuncional e apaixonado , buscando uma forma de fugir com a mulher do irmão. Goya Toledo passa o desespero da modelo, uma mulher linda que vê sua vida, carreira e futuro evaporarem. Emilio Echevarría dá um espetáculo, o melhor desempenho pertence a ele, como o homem que tentou mudar o sistema e foi esmagado pelo mesmo. Ainda assim mantém um profundo amor pelos seus cães e pela filha que ficou no passado e pensa que está morto. Se tem um ponto alto é o da transformação final, aonde se barbeia, corta os cabelos, as unhas imundas e veste um terno para procurar a mesma, ficando irreconhecível. E para ele se desenha um único ( possível) final feliz..Um filme que não faz julgamentos morais, retrata as prisões em que vivemos, muitas vezes auto impostas, outras sem fechadura.
![]()


Eu vi esse mas deve ter uns 20 anos, preciso rever, parabéns pelo artigo
Natasha, gostei de sua crítica! Parabéns!