Morre Marjane Satrapi, autora de Persépolis

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A ilustradora e escritora franco-iraniana Marjane Strapi faleceu aos 56 anos em Paris. Marjane estava exilada na França desde 1994, e se naturalizou francesa em 2006.

Ela ficou mundialmente conhecida pelo livro Persépolis. Trata-se de uma história em quadrinhos, ou graphic novel para adultos, que retrata a infância da autora em Teerã durante a Revolução Islâmica de 1979, quando os aiatolás tomaram o poder, e sua adolescência durante a guerra Irã-Iraque. A obra também relata sua vida na Europa, para onde seus pais a enviaram.

Persepolis é uma denúncia contra o regime islâmico, de certa forma bem humorada. Na narrativa, ela conta como foi uma adolescente que amava o rock e seus tênis Nike, e como foi ameaçada de prisão por usá-los, entre outros exemplos de perda de liberdades civis e violência estatal.

O livro foi adaptado para o cinema em 2007, num filme de animação que foi indicado ao Oscar. Venceu o prêmio do Júri do Festival de Cannes e o Palm Dog Award. Também recebeu os prêmios de Melhor Primeiro Filme e Melhor Roteiro Adaptado no César (premiação francesa equivalente ao Oscar) e Melhor Filme de Ficção pelo Público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Em 2025, Marjane recusou a Legião de Honra, a mais alta condecoração da França, por não concordar com a política do país em relação ao Irã, ou como disse “a atitude hipócrita da França em relação ao Irã”, referindo-se à onda de repressão que grassa o país.

Marjane faleceu um ano após a morte do marido Mattias Ripa. Segundo a família, ela morreu de tristeza. A autora seguidamente publicava em sua conta no Instagram que havia perdido “o amor de sua vida”.

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