155 Anos do Nascimento de Marcel Proust.

Datas Literatura

Marcel Proust foi um dos mais influentes escritores franceses do século XX, célebre por revolucionar a literatura moderna ao fundir tempo, memória e psicologia. Nascido em 10 de julho de 1871 e falecido em 18 de novembro de 1922, ele transformou a introspecção e a observação da alta sociedade parisiense em uma obra monumental. Ele segue aclamado pela Revista Bula como o homem que ergueu uma verdadeira “catedral de tempo, memória e ciúme” na literatura mundial.

Proust nasceu em meio ao caos político da França, logo após o fim da Guerra Franco-Prussiana e a violenta repressão à Comuna de Paris. O cerco à capital francesa causou privações severas à população. O estresse do período afetou a saúde de sua mãe durante a gravidez, o que muitos biógrafos ligam à saúde fragilizada e à asma crônica que o escritor manifestou desde os 9 anos.

Marcel Proust começou a publicar seus primeiros textos e contos em revistas por volta de 1892, mas o ano definitivo em que ele começou a conceber e escrever sua obra-prima, Em Busca do Tempo Perdido, foi entre 1908 e 1909. Esse período de transição foi um dos momentos mais intensos, dolorosos e transformadores da vida do autor.

Em 1903, Proust perdeu o pai e, em 1905, sua mãe, Jeanne Proust. Ele era extremamente apegado a ela. A morte de Jeanne mergulhou o escritor em uma depressão profunda e desorganizou sua saúde física, fazendo com que ele se afastasse quase por completo dos salões aristocráticos que frequentava na juventude.

Em 1906, Proust mudou-se para um apartamento no Boulevard Haussmann, em Paris. Suas crises de asma tornaram-se tão violentas que ele tomou uma medida drástica: mandou revestir as paredes de seu quarto com placas de cortiça para isolar totalmente o barulho da rua, além de manter as janelas fechadas para evitar o pólen.

Entre 1908 e 1909, esse quarto escuro e silencioso virou o seu quartel-general. Ele passou a trocar o dia pela noite, escrevendo deitado na cama, cercado por cadernos escolares e rascunhos, apoiado apenas por travesseiros e iluminado por uma fraca lamparina. Ele vivia à base de café e leite, dedicando o resto de suas forças vitais exclusivamente à literatura.

Por volta de 1908, ele começou a escrever um texto que misturava ficção e crítica literária, chamado Contra Sainte-Beuve. O objetivo era rebater a ideia de que, para entender a obra de um autor, era preciso conhecer sua biografia social. Conforme escrevia nos seus cadernos, as memórias de sua própria infância, os amores do passado e os personagens da alta sociedade começaram a tomar conta do texto. O ensaio crítico transformou-se espontaneamente em uma narrativa monumental sobre a memória involuntária.

Em 1908, ele mandou datilografar seus primeiros dez cadernos de anotações. Em 1910, o esqueleto do que conhecemos hoje como Em Busca do Tempo Perdido já estava estruturado, e ele passou os anos seguintes expandindo e costurando essa imensa tapeçaria literária até o leito de sua morte.

Edições especiais relembram seus primeiros escritos na revista Le Banquet e seu livro de estreia, Os Prazeres e os Dias (1896). O livro reúne contos e poemas da juventude que antecipavam os temas burgueses de sua grande obra.

Universidades e coletivos literários debatem o pioneirismo do autor, destacado pela FFLCH-USP por introduzir de forma filosófica e inovadora a homossexualidade e a fluidez da consciência no romance moderno.

Os seus últimos dias foram uma corrida frenética contra o tempo para terminar de revisar sua grande obra, em condições extremas de saúde e isolamento.

Proust vivia recluso em seu quarto com janelas fechadas e paredes forradas de cortiça para isolar o som. Ele sofria de extrema sensibilidade à luz e a odores. Ele quase não comia. Sua dieta consistia basicamente de café forte (que tomava em grandes quantidades para conseguir trabalhar) e, ocasionalmente, um pouco de leite ou canja trazida por sua fiel governanta, Céleste Albaret. Para conseguir dormir, usava sedativos fortes (como o veronal); para acordar e escrever, recorria a estimulantes, destruindo completamente seu ritmo biológico.

Em meados de outubro de 1922, Proust saiu à noite para visitar um salão e pegou um forte resfriado. Devido à sua asma crônica e ao corpo extremamente debilitado, a infecção rapidamente atingiu os pulmões. O escritor recusava-se a seguir os conselhos médicos e a tomar os remédios prescritos por seu irmão, Robert Proust, que era um médico renomado. Marcel preferia se automedicar e manter o quarto aquecido e fechado, o que piorava a proliferação de bactérias. Mesmo delirante e com febre alta, ele continuou ditando alterações e acréscimos para os volumes finais de Em Busca do Tempo Perdido. Ele reescreveu trechos sobre a morte do personagem Bergotte baseado na sua própria agonia real.

Na noite de 17 de novembro, seu estado tornou-se irreversível. Céleste Albaret e o irmão de Proust permaneceram ao lado de sua cama. Pouco antes de morrer, no dia 18, ele pediu um copo de cerveja gelada, que foi trazido de um café próximo, mas ele mal conseguiu beber. Ele faleceu no final da tarde, deixando os três últimos volumes de sua obra-prima concluídos, mas ainda não revisados.

Marcel Proust morreu em 18 de novembro de 1922, aos 51 anos, em seu apartamento em Paris. A causa direta de sua morte foi uma pneumonia bacteriana severa que evoluiu para um abscesso pulmonar.


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