Sérgio Buarque de Holanda (1902–1982) foi um dos mais importantes historiadores, sociólogos e intelectuais do Brasil no século 20. Ele transformou a compreensão sobre a formação social e política do país, sendo considerado um dos “intérpretes clássicos do Brasil” ao lado de nomes como Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior.
Sérgio Buarque de Holanda iniciou sua carreira profissional no jornalismo em 1920, quando tinha apenas 18 anos de idade. Seu primeiro trabalho regular foi como redator e colaborador do jornal Correio Paulistano em 1920.
Conexão com o Modernismo: Em 1921, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Mesmo à distância, foi nomeado por Mário e Oswald de Andrade como o representante carioca da revista paulista Klaxon. Entre 1924 e 1925, fundou e dirigiu a Revista Estética ao lado de Prudente de Morais, Neto.
Formação acadêmica: Paralelamente ao trabalho nos jornais, ele cursou a Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), bacharelando-se em 1925. No entanto, ele nunca exerceu a advocacia.
Em 1927, assumiu o posto de colunista no Jornal do Brasil e funcionário da agência de notícias United Press. Em junho de 1929, viajou para a Alemanha como correspondente dos Diários Associados, império de mídia de Assis Chateaubriand. Morando em Berlim até 1931, ele cobriu a crise da República de Weimar e a ascensão do nazismo. Foi lá que ele teve contato direto com a sociologia de Max Weber, que mudaria para sempre a sua forma de analisar a história do Brasil.
A transição do jornalismo para a carreira de historiador e professor universitário ocorreu de forma definitiva em 1936. Neste ano, ele foi contratado como professor assistente na Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro e, simultaneamente, publicou sua obra-prima, Raízes do Brasil.
Publicado em 1936, o livro Raízes do Brasil é um clássico absoluto da historiografia nacional. Nele, Sérgio Buarque investiga a herança colonial ibérica no território brasileiro e analisa a transição da sociedade rural e patriarcal para a modernidade urbana.
Foi pioneiro ao introduzir as teorias do sociólogo alemão Max Weber no pensamento social brasileiro, utilizando a metodologia de “tipos ideais”. Foi pioneiro ao introduzir as teorias do sociólogo alemão Max Weber no pensamento social brasileiro, utilizando a metodologia de “tipos ideais”. Ao usar os “tipos ideais” (como o próprio “homem cordial” ou o “patrimonialismo”), ele evitou explicações simplistas sobre o Brasil. Ele criou modelos conceituais para entender como os vícios do período colonial ainda moldavam a política moderna.
Foi professor catedrático de História da Civilização Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e o primeiro diretor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB): Fundado por ele em 1962 na USP, o instituto tornou-se um dos maiores centros de pesquisa sobre a identidade nacional, guardando até hoje arquivos preciosos de grandes nomes da nossa cultura.
Aposentou-se voluntariamente em 1969 como forma de protesto contra a cassação de professores pela ditadura militar. O protesto de 1969: Sua aposentadoria precoce foi uma resposta direta ao Ato Institucional Nº 5 (AI-5). Quando o regime militar cassou e baniu colegas brilhantes da USP — como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso e Caio Prado Júnior —, Sérgio Buarque abriu mão de sua cátedra por solidariedade e coragem moral, recusando-se a legitimar o arbítrio da ditadura.
Participou ativamente das discussões do movimento modernista brasileiro na década de 1920. No fim da vida, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980. Teve forte ligação com a cultura; ele é pai do consagrado músico e compositor Chico Buarque de Holanda e das cantoras Miúcha, Cristina Buarque e Ana de Holanda.
Nos meses anteriores à sua morte, o historiador já apresentava uma saúde debilitada devido a problemas cardiovasculares. Sérgio Buarque de Holanda faleceu no dia 24 de abril de 1982, aos 79 anos, em seu apartamento no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Ele morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória aguda, provocada por complicações pulmonares e cardíacas. Ele faleceu enquanto dormia, nas primeiras horas da manhã.
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