Vivo ou morto você precisa assistir!
Quem me conhece sabe o apreço que tenho por esse filme e eu não poderia deixar de citá-lo neste momento, já que está completando 39 anos do lançamento nos cinemas. Vou tentar ser breve para não esticar muito o artigo, juro que vou tentar rs.
Alex Murphy, um policial recém transferido para a zona mais violenta de Detroit, acaba encurralado e morto pela gangue de Clarence Boddicker, a mais cruel da cidade e conhecida por matar policiais. Murphy é ressuscitado como um ciborgue de última geração pela OCP, uma corporação gananciosa e sem escrúpulos.
Aos poucos Murphy vai recuperando sua memória, do homem que era, do marido e pai que já foi. Começa a lembrar de seus assassinos e passa a persegui-los, um a um, atrás de vingança.
É verdade, parece uma sinopse de estória rasa de um filme B que você já viu inúmeras versões semelhantes por aí. Mas uma obra rasa é tudo o que Robocop não é!
Robocop se tornou ícone da cultura pop das décadas de 1980 e 1990, e não só pelo lado tiro, porrada e bomba, mas também pelas diversas camadas que possui. Seja por uma direção honesta e visceral do holandês Paul Verhoeven, a trilha épica e marcante, ou pelo roteiro ácido, sarcástico e superinteligente. Adicione aí o drama do protagonista, tendo seu arco encerrado de forma brilhante, ao responder à pergunta do CEO da OCP: “Belo tiro, filho! Qual é o seu nome?” Um breve sorriso do ciborgue e a resposta: “Murphy”. Assim, fechando o filme de forma perfeita e nos dando a certeza de que Murphy, de alguma forma, reencontrou sua humanidade. Sério, que final!!
Eu poderia ficar horas e horas escrevendo sobre detalhes, curiosidades e o que gosto em Robocop, mas talvez seja assunto para outro dia, pois de fato acabaria se tornando um livro e não um artigo. Mas temos que exaltar alguns pontos, como a escolha do diretor: um tiro certeiro, afinal, temos a visão de um cineasta europeu e que já carregava em sua filmografia obras ultraviolentas e cruas. Também por ser estrangeiro, teve certa liberdade para criticar o “American Way of Life”. Algo que um cineasta americano talvez não tivesse a coragem de fazer.
Outro ponto, a escolha do protagonista: esse tipo de roteiro ao ser lido talvez trouxesse à cabeça de diretores nomes como, Van Damme, Steven Seagal, Schwarzennegger (nosso querido exterminador até foi considerado para o papel, mas era grande demais para o traje do policial do futuro). Enfim, a escolha foi Peter Weller, que não era um ator de ação brucutu e fazia todo tipo de filmes. Só um ator assim conseguiria trazer a carga emocional que necessitava para Murphy. Para se ter uma ideia da dedicação de Weller, os tão famosos movimentos do Robocop só foram possíveis pois ele procurou o famoso mímico israelense, Moni Yakim, para ajudar na movimentação do personagem. Não fosse a ajuda de Yakim, talvez o Robocop tivesse movimentos serpenteados, como queria Verhoeven (!!!)
Mais um ponto, a trilha sonora: que acerto a escolha de Basil Poledouris! O cara fez um trabalho gigante com a trilha dos filmes do Conan e foi chamado para trazer tamanha grandeza para Robocop. Note como no início temos um tom de filme de ação normal e, de repente, quando somos apresentados ao personagem título, a trilha explode como num filme de super-herói, a lá Batman, Superman…É simplesmente fantástica! Quando precisa trazer drama e reflexão, não é diferente. A trilha é de uma grandeza que te emociona.
Robocop marcou uma geração. Adultos e crianças, que assim como eu, ficaram fascinados com um personagem tão espetacular e um filme de ação / ficção científica tão bem construído.
Ação explosiva, efeitos especiais práticos, uma trilha inesquecível, e claro, frases de efeito como: “Vivo ou morto você vem comigo”. O sucesso trouxe sequências não tão satisfatórias, mas esse assunto fica para a próxima.
Dizem que existe uma regra que, em algum momento de sua vida adulta, você deve rever filmes que gostava quando era criança. Se gostar novamente significa que eram realmente bons. Posso afirmar com certeza que pra mim, cada vez que fico mais velho, Robocop ficou cada vez melhor!
Produção:
Direção: Paul Verhoeven / Roteiro: Edward Neumeier e Michael Miner / Produção: Jon Davison Arne Schmidt / Fotografia: Jost Vacano / Trilha sonora: Basil Poledouris / Edição: Frank J. Urioste / Designer de Produção: William Sandell / Efeitos especiais: Rob Bottin e Phil Tippet
Elenco:
Peter Weller / Nancy Allen / Kurtwood Smith / Ronny Cox / Dan O’Herlihy / Miguel Ferrer / Robert DoQui / Felton Perry / Del Zamora / Paul McCrane / Jesse D. Goins / Calvin Jung / Michael Gregory
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